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  Título
Escritas da cidade: processos subjetivos e espaço urbano no cinema contemporâneo brasileiro
Autor
Cezar Migliorin
Resumo Expandido
Em recentes produções do cinema contemporâneo brasileiro as cidade tem tido papel central. Entender os modos de vida, as circulações, as formas de poder e resistências, o mundo do trabalho precário e as opressões, passa, em grande parte, pelas formas de estar na cidade e pelas formas como as cidades são escritas a partir desses modos de vida.

Nessa comunicação pretendo explorar uma relação entre a imagem como representação e problematização das estéticas que organizam a polis. Tal

relação é indissociável de uma abordagem que contemple as possibilidades políticas dos filmes à partir daquilo que é compartilhável no campo do sensível entre filme e espectador. Se a cidade é marcada por esquadrinhamentos sensíveis que definem lugares de fala e de visibilidade, o cinema se apresenta como o que dá a ver esses recortes ao mesmo tempo em que inventa, com as vidas mesmo, formas de desfazer, esteticamente, esses esquadrinhamentos. A cidade é assim algo que pode aparecer a partir de um olhar e um pensamento que a constitua, tal é a potência crítica que pode atravessar o cinema.

Nesse sentido, o esforço da comunicação está em perceber a relação das escrituras fílmicas e de suas estratégias ficionalizantes e as formas como as cidades são inventadas e criticadas nessas escrituras. Para tal, trabalharemos a princípio com dois filmes: O céu sobre os ombros (2011), de Sérgio Borges e Transeuntes (2010), de Erik Rocha. O primeiro filme se passa em Belo Horizonte, o segundo no Rio de Janeiro, entretanto, a cidade aqui é menos um nome ou um espaço em Minas ou no Rio de Janeiro, do que blocos urbanos que aparecem nas formas de subjetivação que nela se constituem, transitam e a afetam.

Com os filmes nossa atenção se concentrará em três pontos que articulam a cidade e a escritura fílmica, mediadas pelas formas de vida: as configurações de um território, as organizações do espaço que entrelaçam vida e trabalho e na ficcionalização do cotidiano.

Esses elementos devem ser contemplados dentro de uma inscrição na história do cinema. Nesse sentido, as linhas de continuidade e ruptura com o cinema moderno, no que tange cada uma das marcas desse cinema contemporâneo, devem ser analisadas.

Bibliografia

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