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  Título
O documentário brasileiro contemporâneo e o outro: do excluído social à multidão que resiste
Autor
Francisco Alves dos Santos Junior
Resumo Expandido
Numa breve análise de boa parte dos documentários brasileiros produzidos nos últimos anos, uma questão não nos escapa aos olhos: as periferias e as favelas estão quase sempre lá. O certo é que as áreas de fratura social circulam nos clichês mediáticos a partir da violência e da pobreza em que seus moradores são vitimados cotidianamente. Mas como o documentário brasileiro contemporâneo vem tratando dessa questão? Fernão Ramos (2008) nos dá uma pista ao afirmar que os documentários que tematizam a exclusão apelam para o espetáculo e para um olhar de horror diante daquele que vive nas bordas das grandes cidades. Um olhar que, na maioria das vezes, recorre ao sensacionalismo, ao entretenimento fácil, que transforma potenciais sujeitos de um filme em objetos.É importante notar, como acredita Antônio Negri (2003), que o espaço de exclusão em que vivem esses sujeitos, é por si só um local de resistência, de potência política, palco de recusas e de fugas, uma vez que é nesses espaços que o poder se manifesta de maneira mais evidente, utilizando para tal, mecanismos de controle e de disciplina que excluem os sujeitos do capital e do próprio poder. Assim, é através da exclusão a que são submetidos, que esses sujeitos reagem a esse poder excludente que os forçam a viver em guetos.Não podemos nos esquecer, no entanto, que a exclusão não é apenas uma instância econômica ou social, mas, sobretudo biopolítica, como nos lembra Foucault. Com a instauração do Estado Moderno, precisamente no século XVIII, o biopoder faz viver - em condições miseráveis, e deixa morrer. Ou seja, a exclusão é um fenômeno derivado do biopoder de alongar a vida de uns e deixarem outros morrerem (os pobres e os negros, principalmente), negando-lhes assistência médica, saneamento básico, etc. Se para Foucault a biopolítica é esse novo poder que busca se apoderar da vida, e é a responsável pela exclusão, Negri, vai mais além e define a biopolítica como uma força inerente à multidão. Para o autor em seu livro Multidão(2005), escrito em parceria com o filósofo Michael Hardt, a multidão são os sujeitos que explorados, resistem potencialmente à dominação e exclusão a que são submetidos pelo capitalismo .Deste modo, podemos entender que a resistência, só pode ser feita pela multidão, que como definem Negri e Hardt, “é formada por todos aqueles que trabalham sob o domínio do capital, e assim, potencialmente, como a classe daqueles que recusam o domínio do capital”( 2005. p 174), como no caso dos funkeiros cariocas e rappers , que produzem músicas que denunciam a exploração e exclusão de que são vitimas. Essas questões podem ser percebidas nos documentários Sou feia mas tô na moda (2005), de Denise Garcia e Fala Tu (2004), de Guilherme Coelho, ambos filmados nas favelas e periferias do Rio de Janeiro. De tal modo, pretende-se entender como os excluídos (e as zonas de exclusão) são representados nos dois filmes, considerando-se o documentário como um campo de manifestação de poderes e resistências.
Bibliografia

BENTES, Ivana.