/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Duas faces da mesma moeda: representações da inserção social em Fama e Glee
Autor
Paulo Roberto Ferreira da Cunha
Resumo Expandido
Neste trabalho será estudada a relação que a televisão e o cinema norte-americano construíram com base na idéia de inserção-exclusão social, objetivando estabelecer pontes com um espectador mais jovem – para, assim, comparar representações, sentidos e alguns elementos constitutivos de duas obras oriundas do gênero musical: o filme Fama (1980) e o atual seriado televisivo Glee.



Parte-se da premissa dos diálogos intertextuais construídos intencionalmente entre televisão e cinema – além de outras formas de comunicação – para encontrar o processo estratégico estabelecido pela indústria da comunicação dos EUA denominado por juvenilização, que foi acentuado gradativamente desde a década de 1950 no cinema e amparado pelo crescimento da audiência doméstica da televisão. Vários modos de criar este vínculo foram desenvolvidos e acompanharam o ambiente sócio-cultural de seu tempo. Uma das abordagens temáticas que obtiveram esta função foi a inserção social, ou seja, o conflito entre pertencer ou ser excluído dos grupos sociais referenciais para determinado indivíduo. Para este contexto, pertencer significa ter uma identidade comum, avalizada, menos vulnerável a críticas e ao fracasso, como reza a cartilha ideológica dos Estados Unidos, o que também pode ser compreendido como o sentimento de não se perder na multidão, tornar-se alguém, alterar o destino que lhe é reservado, dizer um não à própria sorte e construir um futuro para si.



No filme Fama (1980), um drama musical, a trama central gira em torno do percurso de jovens alunos aspirantes a artistas durante sua formação no High School of Performing Arts de Manhattan. Aqui, a representação da inserção social acontece através dos conflitos dos personagens com seus próprios preconceitos e com os preconceitos de terceiros. Nesta dinâmica, cada um do seu jeito busca a inclusão e a escola é a possibilidade para isto acontecer.

Glee (2009), um seriado televisivo que associa elementos dos gêneros musical, drama e comédia, possui como pano de fundo a Escola Willian McKinley e desenvolve seu enredo a partir da conquista de um sonho comum a determinado grupo de jovens: vencer um concurso de música com seu grupo de coral, e com ele, evitar a rejeição e a agressividade dos demais alunos da escola. Os personagens sentem a discriminação através de sua não-valorização individual, de suas opções pessoais e pela falta de espaço para serem percebidos pelo que possuem de melhor. Buscam, pois, o reconhecimento de sua inclusão e a música é o meio para isto.



Em resumo, a proposta deste trabalho é investigar o modo como a questão da inserção social foi explorada em 1980 com Fama, em comparação a como ela é exposta atualmente com Glee, pensando na concretização do objetivo de sensibilizar espectadores mais jovens, para com isto compreender os contextos nos quais estas obras foram criadas, analisar as representações com as quais esta temática foi construída e compreender os sentidos possíveis que foram gerados, dentro deste hiato de quase trinta anos. Tudo isto sem esquecer da importante convergência que se configura pela origem de Fama e de Glee – o gênero musical.

Bibliografia

BORDWELL, David. “Estudos de cinema hoje e as vicissitudes da grande teoria.” In RAMOS, Fernão Pessoa. Teoria contemporânea do cinema – Volume I. São Paulo: Editora Senac, 2005.

BUSCOMBE, Edward. “A idéia de gênero no cinema americano”. In RAMOS, Fernão Pessoa (org.). Teoria contemporânea do cinema – Volume II. São Paulo: Editora Senac, 2005.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A

LABAKI, Amir (org.). O cinema dos anos 80. São Paulo, Brasiliense, 1991.

BORDWELL, David. “Estudos de cinema hoje e as vicissitudes da grande teoria.” In RAMOS, Fernão Pessoa. Teoria contemporânea do cinema – Vol.I. São Paulo, Ed. Senac, 2005.

BUSCOMBE, Edward. “A idéia de gênero no cinema americano”. In RAMOS, Fernão Pessoa. Teoria contemporânea do cinema – Vol. II. São Paulo, Ed. Senac, 2005.

THOMPSON, Kristin & BORDWELL, David. Film history. New York, McGraw Hill, 2003.

TROPIANO, Stephen. Rebel & chicks – A history of the Hollywood teen movie. New York,2006.