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  Título
Um estudo dadeslocografia no sertão do cinema brasileiro
Autor
Maria Ignês carlos Magno
Coautor
Vicente Gosciola
Resumo Expandido
O presente texto busca investigar o sertão e suas paisagens como cenários constantes nos filmes que retratam a vida dos que se retiram de seus lugares de origem ou de sonhadores em direção as cidades grandes. Cidades imaginadas, mesmo quando a retirada de seu lugar de nascimento signifique deixar para trás as origens, as tradições, os laços e tudo o que pode indicar pertencimentos. Para os que se deslocam, os espaços se transformam ao longo dos anos em lugares da memória, da saudade, da perda ou das transfigurações identitárias. O fundamental nesse estudo é o deslocamento porque é nele que o migrante quando vai ao novo território ou volta ao território de origem constrói sua utopia ou antiutopia, imaginando-a individualmente ou coletivamente. Propomos o conceito Deslocografia para identificar o modo como o cinema discute: as sociedades e os territórios imaginados sejam lineares ou complexos; as coletividades geradas por sentimentos em comum; as imagens e sons definidores de novas coletividades; os territórios construídos pelos sentidos; o nomadismo contínuo como território articulador de sociabilidades. Lugares, que nos “dias atuais não são apenas lugares antropológicos, mas condição e suporte de relações globais” , para os que se deslocam são referências e sentimentos que os filmes aqui trabalhados tornam visíveis nos diálogos das personagens, nas lembranças, nas cartas ou mesmo nas placas das estradas. Os filmes de guerra que lidam diretamente com as fronteiras e deslocamentos por territórios não vêm ao caso porque essas fronteiras são definidas e organizadas por instituições políticas, enquanto que os filmes estudados tratam dos deslocamentos sociais de iniciativas individuais ou de pequenos grupos de civis. Este estudo é inicial, não pretende esgotar o assunto e não se dirige a indicar um possível gênero, em que pese e nos motive o excelente estudo de Samuel Paiva que se encaminha para definir os elementos que caracterizam o road movie brasileiro como um gênero em potencial. O que pretendemos é discutir como o cinema representa o imaginário de suas personagens em trânsito para um novo território ou o retorno ao território de origem. Para isso, optamos por alguns filmes que tem a estrada como cenário dos deslocamentos, como lugar dos fluxos, do fugidio, do efêmero, das sociabilidades, das descobertas, da construção dos imaginários. E como nos concentramos especialmente nos momentos em que a narrativa se dá enquanto as personagens estão em deslocamento, os filmes onde procuramos conhecer o processo de deslocografia o trânsito e o transitório são o espaço e tempo da narrativa. Os filmes selecionados para essa comunicação são: Árido Movie (2004) de Lírio Ferreira; Caminho das Nuvens (2003) de Vicente Amorim; Central do Brasil (1998) de Walter Salles; Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) de Marcelo Gomes e Deus é Brasileiro (2003) de Carlos Diegues, e os autores trabalhados foram: Barry Salton, Bernadette Lyra e Gelson Santana, David Bordwell, Hans Ulrich Gumbrecht, Hamid Naficy, Ismail Xavier, Milton Santos, Robert Stam, Samuel Paiva.
Bibliografia

BORDWELL, David. Narration in the fiction film. London: Routledge, 1986.

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Corpo e forma: ensaios para uma crítica não-hermenêutica. Rio de Janeiro: UERJ, 1998.

NAFICY, Hamid. Home, exile, homeland: film, media, and the politics of place. New York: Routledge, 1999.

NAFICY, Hamid. An accented cinema: exilic and diasporic filmmaking. Princeton: Princeton University, 2001.

PAIVA, Samuel. A propósito do gênero road movie no Brasil: um romance, uma série de TV e um filme de estrada. Revista Rumores, Edição 6, volume 1, Setembro-Dezembro de 2009, http://200.144.189.42/ojs/index.php/rumores/article/viewFile/6798/6141 2009, pp.1-11.

SALT, Barry. Film style and technology history and analysis. 2a ed. London: Starword, 1992.

SANTOS, Milton. Da totalidade ao lugar. São Paulo, Edusp, 2005.

STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.

XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.