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  Título
O horror como matriz genérica nos curtas fantásticos de Joel Caetano
Autor
Rogério Ferraraz
Resumo Expandido
Este trabalho tem como objetivo analisar os curtas-metragens de Joel Caetano, diretor e roteirista paulistano que realiza filmes de baixíssimo orçamento.

Em 2001, Joel Caetano da Silva (25/11/1977), nascido no bairro da Freguesia do Ó, em São Paulo, criou a Recurso Zero Produções, juntamente com Mariana Zani, sua namorada na época e futura esposa, e o amigo Danilo Baia. Atualmente, morador do bairro do Brás, em São Paulo, Joel tem um trabalho fixo como editor em uma produtora de vídeos institucionais e comerciais. Seus filmes, porém, são todos feitos em conjunto com Mariana e Danilo, através da Recurso Zero, de forma totalmente independente. De acordo com o texto de apresentação no site da Recurso Zero (http://www.recursozero.com/), trata-se de uma “produtora paulista de filmes independentes de baixo orçamento, buscando uma revitalização através de novos e antigos gêneros do cinema e da arte universal!”.

Com uma produção média de mais de um curta-metragem por ano, Joel já tem em seu currículo, como diretor, os seguintes curtas: Afrodite (2001), Dupla Surpresa (2002), Onde há fumaça (Animação – 2003), Trabalhador (2003), Trailer Heróiz com Z de Brazil (2004), Despedida (2004/2005), Bruma (Animação – 2005), Minha Esposa é um Zumbi (2006), Junho Sangrento (2007), O Assassinato da Mulher Mental (2008), GATO (2009), Wonderlandigital (2010) e Estranha (2010/2011).

Pretende-se demonstrar, aqui, como muitos desses filmes escritos e dirigidos por Joel Caetano apresentam histórias fantásticas, tendo o horror como matriz genérica de uma obra que se pauta pela apropriação e remixagem de cenas, imagens, formas e situações narrativas dos mais variados gêneros cinematográficos, característica típica do cinema de bordas em que essa produção se insere. Joel faz um cinema pulsante, realizando trabalhos de forte apelo popular, mas que são também obras de culto, que privilegiam as experiências e sensações e trabalham com as chaves dos gêneros cinematográficos, ora na forma do escracho ora recorrendo ao grotesco.

Para dar suporte às análises fílmicas, as considerações teóricas a respeito do fantástico estarão ancoradas principalmente nos estudos de Tzvetan Todorov (2004) sobre o tema. Já sobre as questões relativas ao gênero horror, partiremos dos estudos de Noël Carroll (1999), Joan Hawkins (2000), Andrew Tudor (2006), entre outros.
Bibliografia

BALDI, Sandro Debiazzi. Que horror é esse? Uma análise de filmes de horror trash independentes no Brasil. [Dissertação de mestrado]. SP: UAM, 2010.

CARROLL, Noël. A filosofia do horror ou Paradoxos do coração. Campinas, SP: Papirus, 1999.

FERRARAZ, Rogério. “Minha esposa é um zumbi e a mistura de gêneros no cinema de Joel Caetano”. In: SANTANA, Gelson (org.). Cinema de bordas 2. SP: A Lápis, 2008. P. 160-178.

HARRIES, Dan. “Film Parody and the Resuscitation of Genre”. In: NEALE, Steve (Ed.). Genre and Contemporary Hollywood. London: British Film Institute, 2006. p. 281-293.

HAWKINS, Joan. Cutting edge: art-horror and the horrific avant-garde. Minneapolis/London: University of Minnesota Press, 2000.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. SP: Perspectiva, 2007.

TUDOR, Andrew. “From Paranoia to Postmodernism? The Horror Movie in Late Modern Society”. In: NEALE, Steve (Ed.). Genre and Contemporary Hollywood. London: British Film Institute, 2006. p. 105-116.