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  Título
O mistério dos mistérios: da letra à tela
Autor
Paulo Motta Oliveira
Resumo Expandido
Marlyse Meyer, em seu Folhetim, aponta:



Menos conhecido que Alexandre Dumas, Eugène Sue representa a vertente contemporânea, “realista”, do folhetim. Inicia-se com um sucesso retumbante, de alcance internacional, o que constitui um fenômeno literário ainda não de todo estudado: em 19 de junho de 1842, no muito conservador (e não será esse o menor dos paradoxos) Journal des Débats sai o primeiro capítulo de Les mystères de Paris. Quando é publicado o último, em 15 de outubro de 1843, os leitores choram e nem eles nem o próprio autor saem imunes da aventura, em certo sentido transformadora. Rodolfo, príncipe de Gerolstein, protagonista central, torna-se um mito.





Se o protagonista torna-se um mito, os “mistérios” tornam-se uma mania. O próprio Sue não escaparia de a eles voltar com o seu Mistérios do Povo, de 1857. Os mistérios vão se espalhar pelo mundo, e constituirão um importante filão da literatura oitocentista, mostrando a força que o romance francês então possuía, difundindo formas e modelos para toda a literatura ocidental.

Os dois principais escritores portugueses do século XIX não escaparão dessa epidemia. Camilo Castelo Branco, após haver laçado o seu primeiro romance, Anátema, em 1851, publicaria Mistérios de Lisboa em 1854 e sua continuação Livro Negro de Padre Dinis no ano seguinte. Por seu turno Eça de Queirós publicaria em 1870, conjuntamente com Ramalho Ortigão, O mistério da estrada de Sintra, primeiro romance do escritor.

Curiosamente seria necessário esperar a chegada do século XXI para que essas obras fossem utilizadas como base para o roteiro de dois filmes. Em 2007 foi lançado, dirigido por Jorge Paixão da Costa, O mistério da estrada de Sintra. Três anos depois, dirigido por Raúl Ruiz, seria lançado Mistérios de Lisboa

O objetivo de nossa apresentação é o de refletir sobre as relações entre os dois filmes referidos e as obras em que se inspiraram, para que, a partir disso, possamos lançar hipóteses sobre a recuperação fílmica, em pleno século XXI, dos dois mais importantes romances de mistérios lançados em Portugal no século XIX.

Bibliografia



BELO, Maria do Rosário Leitão Lupi. Narrativa literária e narrativa fílmica – O caso de Amor de perdição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2005.

CASTILLO, José Romera. Teatro, novela y el cine en los inicios del siglo XXI. Madrid: Visor Libros, 2008.

MEYER, Marlyse. Folhetim uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

MORETTI, Franco. Atlas do romance europeu 1800-1900. São Paulo: Boitempo, 2003.

SOUSA, Sérgio Paulo Guimarães. Relações intersemióticas entre o cinema e a literatura. Braga: Universidade do Minho, 2001.

STAM, Robert. A literatura através do cinema. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2008.