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  Título
O cinema luso-brasileiro. Elementos para comparação
Autor
Leandro José Luz Riodades de Mendonça
Resumo Expandido
Retomando a questão do cinema dos anos 40, creio encontrar situação similar à problemática vivida no cinema brasileiro, onde filmes que efetivamente eram bem recebidos pelo público obtinham da crítica uma péssima recepção. Uma das bases deste problema pode ser encontrada na comparação crítica com o cinema estrangeiro, hegemônico nas salas, brasileiras e portuguesas. O produto importado quando comparado, seja tecnicamente, seja do ponto de vista estético, impõe aos cinemas nacionais uma padronização expressa exatamente nestes dois aspectos: técnico e temático. Este padrão, impossível de ser cumprido, cria uma clivagem insuperável que acaba por inviabilizar a cinematografia nacional em qualquer vertente industrial. Não se pode esquecer a necessidade de escoamento da produção nacional que depende de um acordo razoável com os distribuidores locais. Nos casos conhecidos, Portugal e Brasil entre eles, a formas de exibição e distribuição tem de manter contratos (escritos ou tácitos) com os produtores estrangeiros. Muitas vezes esta situação impede a circulação satisfatória da produção nacional.

O surgimento de formas alternativas as possibilidades de uma indústria cinematográfica, nomeadamente o cinema de arte, afirmou-se, nas duas cinematografias, em um movimento que parte da afirmação da falta de interesse e de qualidade deste já falado cinema popular. Este fato pode ter representado um impedimento ao desenvolvimento de possibilidades industrias e uma afirmação de ser o cinema nacional, nestes mercados, um produto de consumo bastante limitado. O que se trata é da afirmação de ser o cinema, português ou brasileiro, impossível de ser ”industrializado” por ser de pouco interesse para essas platéias. Isso pode ter, muitas vezes, levado a um diagnóstico da impossibilidade ou inviabilidade de uma variedade imensa de produções.

Uma das abordagens tentará matizar a questão de a Estética da fome glauberiana (anos 60) ter como uma questão de fundo uma proposição de produção. No caso o objetivo é tratar singularmente do fato observável do “divórcio entre público e cinema português acompanhou o percurso do cinema português durante as décadas de cinqüenta e sessenta”.

Bibliografia

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_________________ E depois de Abril? Ta´-se bem? Em Portugal e no mundo. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa: Biblioteca Museu República e Resistência, 1999.

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CUNHA, Paulo, «A Aldeia Mais Portuguesa do Cinema Português. O Cinema Português de Temática Rural nos Anos de Ferro», Coimbra, Trabalho de Seminário de Licenciatura em História, 2001. «10.º Aniversário do S.P.N.», in República. 27-X-1943, pág. 1.

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