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  Título
Da hegemonia à tutoria
Autor
Roberto Marchon Lemos de Moura
Resumo Expandido
A hegemonia das majors distribuindo e exibindo seus filmes no mercado cinematográfico brasileiro se estende desde a segunda década do século passado até ao novo milênio. O tema dessa comunicação é abordar um outro aspecto das atividades dessas grandes empresas no país, sua atuação na produção de “filmes brasileiros”. Na verdade, esse texto traz elementos e procura refletir não sobre esses filmes propriamente, mas sobre o que é anterior a eles, voltando-se para o que traz o cinema roliudiano como orientação para a produção local.

Por muito tempo não houve nenhum interesse por parte delas de produzir aqui – a não ser eventualmente, quando o Brasil entrou apenas como um décor exótico para uns poucos filmes roliudianos –, nem de se associar com produtores brasileiros. Essa situação seria alterada nas primeiras décadas posteriores à segunda guerra mundial, quando movimentos efêmeros que colocam em cheque o cinema hegemônico, estética, políticamente e também por seu domínio excessivo do mercado, vão gerar um choque nas consciências nacionais sobre o cinema que resultaria em vários países, inclusive no Brasil, em legislações preocupadas em reservar uma parte de seus mercados exibidores para a produção local.

A notável expertize dessas empresas nos múltiplos aspectos de seu campo já as tinha feito em 1925 se organizar numa entidade, a Motion Pictures Association - MPA, para resolver seus problemas comerciais e trabalhistas nos Estados Unidos. Com a magnificação desses problemas também no pós-guerra, as atingindo em seu rico mercado interno, imediatamente cientes da crescente dependência do mercado externo, a entidade é duplicada na Motion Pictures International - MPI, que passa a atuar na defesa da hegemonia internacional do cinema norte-americano.

Em 1968-69 as empresas da MPI pela primeira vez coproduzem de 38 filmes que furam a reserva de mercado brasileiro, isso sem desembolsar recursos pois a legislação de 1962 permitia às majors utilizarem para tal 40% de seus impostos devidos sobre sua remessa de lucros. A primeira utilização legislativa do conceito de “renúncia fiscal” para a produção de filmes no país, que resultaria num leque variado de filmes onde se juntavam a sequência da produção do Cinema Novo pós-1964, e filmes de gênero à brasileira.

Durante a década passada a situação se repete: a lei do audiovisual prevê que as distribuidoras internacionais podem colocar, desta vez, 70% do imposto sobre suas remessas de lucro na produção de filmes brasileiros, tornando-se coprodutoras de filmes brasileiros também aptos a ocupar a reserva no mercado exibidor. O que trazem as majors para o cinema brasileiro? A comunicação examina três pontos: a percepção do mercado, a construção dos filmes, e as técnicas de lançamento e comercialização – questões que se entrelaçam nessa breve reflexão histórica sobre a experiência recente do cinema norte-americano, culminando com sua configuração contemporânea, quando torna-se tutor do desenvolvimento da atividade cinematográfica no Brasil.

Bibliografia

BORDWELL, David. "The way Hollywood tells it". California Press,2006.

SILVA, Hadija Chalupe. "O filme nas telas - a distribuição do cinema nacional", Terceiro Nome, SP, 2010.