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  Título
A Familia Ferrez e os primórdios do mercado cinematográfico brasileiro
Autor
William Nunes Condé
Resumo Expandido
Marc Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843. Seu trabalho como fotógrafo é bastante conhecido e sobre o assunto já foram publicadas várias obras. Mas, além da atividade fotográfica, Marc e sua família também desempenharam uma forte atuação na área cinematográfica. Esta, muito menos conhecida e estudada. E, mesmo quando estudada, a ênfase quase sempre recai sobre a participação de Júlio Ferrez (filho de Marc) na produção de alguns filmes, em especial dos chamados “cantantes” e dos “filmes criminais”. Entretanto, essa atividade de produção sempre foi secundária dentre as atividades cinematográficas dos Ferrez, sendo a distribuição, a exibição e a venda de equipamentos o foco principal da relação da família com o cinema. Assim, repete-se aqui, uma tendência da historiografia cinematográfica brasileira de se enfatizar a produção, em detrimento das outras áreas do cinema.



Na realidade, a trajetória dos Ferrez esteve intimamente ligada ao desenvolvimento do mercado cinematográfico brasileiro. Ela acompanhou e esteve diretamente envolvida com as diversas mutações que ocorreram nesse setor, como a mudança do sistema de venda de filmes para o sistema de aluguel; o aumento do número de salas fixas de exibição no Rio de Janeiro e em outros estados; tentativas de controle monopolista do mercado; a súbita “invasão” dos filmes e distribuidoras norte-americanas durante a Primeira Guerra Mundial; e a introdução do som, que alterou profundamente o mercado cinematográfico.



A proposta desse trabalho é apresentar sucintamente a relação da família Ferrez com o cinema, focando justamente nessas áreas onde teve maior atuação. Mas, apesar dessa atuação ter se estendido até o final dos anos 1990, com os netos de Marc Ferrez, iremos nos ater ao período que vai até 1946 (data em que Júlio Ferrez falece). Assim, pretendemos apresentar um breve painel das diversas fases da atuação dos Ferrez com o cinema dentro desse período, desde a obtenção dos direitos de representação da Pathé Frères para o Brasil em 1905 (que teve uma grande influência no desenvolvimento do mercado cinematográfico do país); passando pela sua atuação no fomento à formação dos mercados de cinema em diversos pontos do país, do Norte ao Sul, que serviam como base para o aumento das vendas dos equipamentos que comercializavam e para o aluguel dos filmes que distribuíam; pela associação à Companhia Cinematográfica Brasileira - CCB (que segundo Randal Johnson, talvez tenha sido a primeira empresa cinematográfica brasileira a atrair investidores de grande porte, indo além da tradicional empresa familiar que havia caracterizado o setor até aquele momento); pelo desligamento dos Ferrez da CCB e seu relacionamento com as distribuidoras norte-americanas após a Primeira Guerra Mundial, culminando com o abandono da atividade de distribuição de filmes e a concentração dos Ferrez na atividade de exibição.

Bibliografia

ARAÚJO, Vicente de Paula. A bela época do cinema brasileiro. São Paulo: Editora Perspectiva. 1976.



ARQUIVO Família Ferrez



FERREZ, Gilberto. Pathé: 80 anos na vida do Rio. In: Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 47, p. 37, ago. 1986.



GONZAGA, Alice. Palácios e poeiras: 100 anos de cinemas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Record, FUNARTE. 1996.



RAMOS, Fernão Pessoa . Historia do Cinema Brasileiro. São Paulo: ArtEditora, 1987.



RANDAL, Johnson. The film industry in Brazil. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press. 1987.



SOUZA, José Inácio de Melo. Imagens do passado: São Paulo e Rio de Janeiro nos primórdios do cinema. São Paulo: Editora Senac São Paulo. 2004.



TURAZZI, Maria Inez. Marc Ferrez. São Paulo: Cosac & Naify Edições. 2001.



VASQUEZ, Pedro Karp; SEGALA, Lygia. Família Ferrez: novas revelações. Rio de Janeiro: Centro Cultural do Banco do Brasil. 2008. Catálogo da mostra realizada no Centro Cultural Banco do Brasil.