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  Título
Entre o nacionalismo e o film d´art: as encenações de O Guarani
Autor
Sheila Schvarzman
Resumo Expandido
José de Alencar (1829-1877) foi um dos escritores mais adaptados pelo cinema brasileiro. O Guarani (1857), tema também de ópera de Carlos Gomes (1870), foi adaptado para o cinema onze vezes entre 1908 e 1996, sendo oito delas entre 1908 e 1926. O romance descabelado, mas fundador, a ópera de brasileiro consagrada como italiana, o tema nacionalista se prestaram a Cantantes que buscavam alguma distinção, a encenações que se diziam grandiosas como a de 1916 dirigida por Vittorio Cappelaro e anunciada como “super produção” cujo lançamento em São Paulo foi marcado por evento grandioso com a comunidade italiana. Gostaríamos, portanto, nesse estudo de recuperar o conhecimento sobre os filmes realizados por Vittorio Cappellaro cujo suporte fílmico, infelizmente, não mais existe. O diretor, antigo ator de uma companhia dramática italiana, utiliza-se da obra em busca do tema e do formato supostamente histórico, exercitando entre nós o film d´art , comum no cinema italiano e francês dos anos 1910 e que se pode ver ainda em última e desusada recorrência em 1932 com O Caçador de Diamantes, único filme remanescente do diretor e cuja encenação nos permite entrever (com o auxílio de outras fontes como fotos, por exemplo) os Guaranis desaparecidos. Em busca de reconhecimento o cinema brasileiro se apossa do carisma de José de Alencar e de Carlos Gomes . Ao fazê-lo permite observar a sempre recorrente necessidade de afirmar-se através de algum artifício de autoridade exterior ao cinema que como tal – um negócio ou uma arte – não era suficiente. Permite observar ainda o amálgama de temas supostamente nacionais, ou construídos como da nacionalidade ao formato internacional do film d´art, ao gosto do imigrante e a desejos de nobilitação que são do cinema brasileiro e daqueles que o realizavam.
Bibliografia

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