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  Título
Da pesquisa de campo à pesquisa interativa: esculpindo em hirpermídia os resultados da interpretação etnocinematográfica
Autor
Carlos Francisco Pérez Reyna
Resumo Expandido
Em vista que o desenvolvimento das novas tecnologias da informação e comunicação conhece um esplendor sem precedentes, o filme etnográfico científico, tenta apropriar-se e assimilar das possibilidades ofertadas pela hipermídia e dos suportes interativos de maneira geral, para entregar sob outra perspectiva a miríade de seus resultados. Nessa abertura, esta proposta busca diálogos entre a antropologia e os dispositivos de apresentação e disponibilização de informação resultante da pesquisa e da interpretação antropológica.

Enquanto o observar e ouvir serem actividades caras à antropologia, será no escrever e no “inscrever” que nossa proposição tentará criar discursos criativos de exposição de resultados.

O inscriver que Clifford Geertz fala, diz respeito a que; “tem feito falta à antropologia uma autoconsciência sobre os modos de representação (para não falar de experimentos com elas)” (1989; 30). Geertz refere-se à tarefa de “inscrever”, que o pesquisador deve realizar não só na pesquisa de campo, mas no gabinete – grifo nosso -, visto que segundo ele, a maior parte da etnografia é só encontrada em livros e artigos, em vez de filmes, fotografia, desenhos, tabelas. Sua preocupação e reflexão é mais profunda ao manifestar que toda “analise cultural é intrinsecamente incompleta e, o que é pior, quanto mais profunda, menos completa” (1989; 39).

Vinte e dois anos depois, as palavras de Geertz poderiam facilmente se referir à necessidade de mostrar a polifonia e miríade de significados por diferentes meios. Isto é, como ir além das limitações do "estreitamento da narrativa convencional” em favor de uma abertura de possibilidades interpretativas que permitam um intercâmbio fluido entre diferentes discursos.

Além disso, sabemos que duas características predominantes da pesquisa antropológica e a hipermídia residem fundamentalmente em sua pluridimensionalidade – descrição de significados de diferentes realidades e contextos -, e a sinestesia, a transmissão de informação através de diferentes sentidos. Esses usos hoje são promovidos através de uma ampla gama de textos antropológicos (TURNER, V & BRUNER,E. 1986 e MARCUS, G. 1998).

Contemporaneamente, novas opções estão se multiplicando com a rápida evolução da eletrônica e da informática. No que diz respeito ao filme etnográfico, da mesma forma que ele foi se adaptando, incorporando inovações tecnológicas, hoje está assimilando os suportes interativos de uma maneira geral. Quer dizer, assimilação no sentido inverso, cinema que assimilou e bebeu de partes constitutivas das outras expressões artísticas, hoje é incorporado, por uma nova ferramenta de produção e reprodução e do movimento que a supera, pois além de absorver todas as outras formas de representação ainda dá ao receptor o poder de combiná-la entre si, com suas prórpias estratégias e seus próprios ritmos cognitivos. Aquilo que o cinema esculpia para sempre na pelicula, hoje, a hipermídia interativa, esculpe e entrega em pedaços ao receptor para que ele escolha sua montagem final.

Trata-se de uma proposta que além de construir e investigar exaustivamente e descobrir novas alternativas de difusão, permite explorar as várias possibilidades para examinar um determinado tema sob vários ângulos e linguagens. Sendo assim, esta proposta apontará para uma exploração orientada pelos modos de organização do saber antropológico e sua integração em um suporte informatizado, cuja justificativa maior é criar pontes disciplinares entre as ciências sociais, as artes (cinema, fotografia, som, etc) e as novas tecnologias, gerando, em novos diálogos, novos conceitos e novas estratégias integradoras.

Bibliografia

1. GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. RJ, LTC, 1989.

2. TURNER, Victor and BRUNER, E. The Anthropology of Experience. Champaign & Chicago: University of Illinois Press, 1986.

3. MARCUS, George. Ethnography through Thick and Thin. Princeton: Princeton University Press, 1998.