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  Título
Representação racial no cinema dos anos 2000
Autor
Teresa Cristina Furtado Matos
Resumo Expandido
Esta proposta de pesquisa tem como objeto de estudo as representações sociais construídas pelo cinema brasileiro sobre as relações raciais no país, mais especificamente de negros e mestiços, vinculando-as a construção da auto-imagem nacional. Nos anos 2000 uma conjunção de fatores externos e internos (principalmente a atuação do movimento negro), colocou em xeque a representação das relações harmoniosas num país pacificado pela miscigenação. O termo raça, que já vinha sendo usado no interior do movimento negro como categoria social e não biológica de explicitação das desigualdades, invade a sociedade a partir da aplicação mais sistemática das políticas de cotas (principalmente no âmbito das universidades públicas). A questão das relações raciais ganha visibilidade e passa a ser objeto de debates públicos (com presença constante na mídia), articulados em torno da defesa ou da negação de sua legitimidade. O núcleo desses debates é a própria auto-imagem do país como nação racialmente democrática, idéia que passa a ser objeto de revisão . . Paralelamente aos trabalhos das ciências sociais, a literatura e o cinema também produziram visões sobre as relações entre negros, brancos e mestiços no Brasil. O cinema, desde o princípio, participa ativamente da construção de imagens sobre a nação. Tanto no sentido de afirmação de uma imagem que se pretende homogênea do país como de negação dessa imagem. O estudo da produção cinematográfica nacional, no que se refere às representações raciais, oferece um caminho para a compreensão do Brasil a partir de duas dimensões: de diagnóstico da realidade e de projeto para uma nova realidade. A identificação dos problemas sociais considerados mais relevantes pelos realizadores, bem como as soluções oferecidas por eles em suas narrativas expõem uma interpretação sobre os dilemas nacionais e as possibilidades de sua superação. Conflitos sociais, desigualdade, descriminação, entre outros temas, aparecem discutidos e formam o quadro de nossa auto-imagem nacional em certo momento. As representações são parte importante e necessária das formas de apreensão e reflexão sobre o mundo, ensejando possibilidades de adequação e reformulação da sociedade e do modo como as relações sociais são concebidas (Moscovici, 2003). Nos anos 2000, uma safra de filmes, entre eles, As filhas do Vento (2003), Quase Dois irmãos (2004), Quanto vale ou é por quilo (2005) e Cruz e Souza: o poeta do desterro (2000), tematizam diferentes dimensões do preconceito racial no Brasil. Imersos no ambiente nos novos debates sobre a questão (Guimarães, 2000), eles tomam como objeto de reflexão a dinâmica de estigmatização dos negros no Brasil e a respostas encontradas pelos atores sociais para enfrentar a situação.
Bibliografia

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