ISBN: 978-85-63552-07-5
| Título | Espaços transnacionais imagens transculturais: a arte de Shirin Neshat |
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| Autor | Sandra Regina Goulart Almeida |
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| Resumo Expandido | As cartografias da contemporaneidade mapeiam uma gama variada de conceitos que perpassam as artes contemporâneas, tais como diáspora, cosmopolitismo, globalização, mundialização, multiculturalismo, nomadismo, planetariedade, entre outros. Tais noções apontam para o espaço como categoria privilegiada, mas como uma entidade discursiva movente e deslizante, que atua por meio do atravessamento de fronteiras, quer sejam físicas ou virtuais. Homi Bhabha também ressalta como “neste fin de siècle, encontramo-nos no momento de trânsito em que espaço e tempo se cruzam para produzir figuras complexas de diferença e identidade, passado e presente, interior e exterior, inclusão e exclusão”. Nossa existência é irremediavelmente marcada por aquilo que o autor observa como sendo a contínua sensação “de viver nas fronteiras do ‘presente’”, apropriadamente evocada em seu uso do termo além, que mapeia uma distância espacial, mas também marca o presente e o futuro, “um espaço de intervenção no aqui e no agora” (2007, p. 27).Imbricada na teorização sobre a categoria do espaço está a noção contemporânea de identidade cultural, concebida não como uma essência fixa, universal e transcendental, mas sim como um posicionamento, um processo, um produto cultural construído com base na diferença e diversidade (Hall, 1994). Nesse sentido, os fenômenos transnacionais podem ser vislumbrados sob o enfoque de estratificações identitárias múltiplas, descentradas e provisórias e de seus vários constituintes, como as relações de gênero, classe e raça – categorias imprescindíveis para se pensar a literatura contemporânea hoje. Torna-se relevante, assim, indagar em quais condições e circunstâncias essa produção artística contemporânea surge e quais são os desafios para uma análise da dessa produção atual face aos movimentos globais da contemporaneidade. É essa análise que o presente trabalho se propõe a fazer ao propor uma reflexão a a partir da obra de Shirin Neshat, fotógrafa, cineasta e artista multimedia iraniana que hoje vive nos Estados Unidos. Neshat, em sua condição de artista transcultural da diáspora e do exílio,fala para uma audiência transnacional sobre as muitas experiências das mulheres em sociedades contemporâneas e sobre as forças religiosas, sociais e culturais que moldam seus corpos e suas subjetividades. Como lembram alguns críticos, é a situação diaspórica que causa uma interrupção na forma como Neshat representa um contínuo da tradição cultural à qual pertence. Suas imagens, videos e filmes causam uma ruptura com essas narrativas da nação e do pertencimento, rompendo com um discurso linear nacionalista frequentemente baseado na experiência das mulheres e seus corpos. Igualmente contundente e revelador das relações entre o corpo das mulheres e o espaço nacional e transnacional é o filme mais recente de Neshat intitulado Women without Men (2010) (Mulheres sem Homens), baseado no romance homônimo da escritora iraniana Shahrnush Parsipur, refugiada política nos EUA. Ao propor a análise deste filme, o trabalho pretende refletir sobre os espaços transnacionais da contemporaneidade e sua relação com uma narrativa originalmente marcada pelo nacional como a de Neshat se apresenta.
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| Bibliografia | AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009.
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