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  Título
Rede de profissionais de filmes baianos realizados entre 1993 e 2008
Autor
Carmen Lucia Castro Lima
Resumo Expandido
Na Bahia, nos primeiros anos de 1990, assim como no Brasil, houve uma relativa paralisação na produção cinematográfica. Para Jorge Alfredo Guimarães, o ano de 1993 é um marco na produção cinematográfica da Bahia. Segundo ele, após a interrupção dessa atividade, com o fechamento da Embrafilme, seis realizadores – Moisés Augusto, Fernando Bélens, Edgard Navarro, Pola Ribeiro, José Araripe Jr. e Jorge Alfredo – criaram o roteiro de um longa metragem, o Via Pelô (GUIMARÃES, 2006). Apesar de esse filme não ter sido produzido, esse episódio gerou uma colaboração afetiva e profissional entre cineastas, dando origem a um novo ciclo de produção cinematográfica, a “Novíssima Onda Baiana”

Em 2001, foi lançado o longa-metragem Três histórias da Bahia, dirigido por José Araripe Jr., Edyala Yglesias e Sérgio Machado. Esse lançamento foi emblemático: quebrou um jejum de quase duas décadas de realização de filmes por produtoras baianas. Desde a produção e o lançamento do longa-metragem Três Histórias da Bahia, em 2001, tem havido um fluxo significativo de realização de curtas e longas-metragens por produtoras baianas. A partir desse filme, houve renovação e qualificação do quadro de realizadores, impulsionadas, também, pelo surgimento de instituições de ensino superior com cursos voltados para o cinema e pela difusão da tecnologia digital.

Nos anos seguintes, a produção em longa-metragem no estado continua, com cinco filmes realizados: Eu Me Lembro (2004), de Edgard Navarro, Samba Riachão (2001), de Jorge Alfredo (que ganhou três Candangos, no Festival de Brasília), Esses Moços (2004), de José Araripe Jr. e Cascalho (2004), de Tuna Espinheira e Cidade Baixa, de Sérgio Machado. Entre 2001 e 2006, foram produzidos quinze curtas-metragens, contra seis da década anterior (GUIMARÃES, 2006).

Nos últimos anos, houve uma maior organização desse movimento cinematográfico na Bahia, liderada pela Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV), criada em 2003, e pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), além do surgimento de profissionais advindos das faculdades que, motivados pelo festival “A Imagem em 5 minutos”, produziram mais de 500 vídeos nesse formato. Além envolver os atores e técnicos baianos, os filmes recentemente produzidos na Bahia têm como novidade o fato de serem feitos por produtoras da Bahia. Em 2009, de forma inédita, houve cinco filmes de longa-metragem, lançados ou a serem lançados, produzidos por produtoras baianas.

A produção de curta-metragens também se expandiu no estado, no rastro da difusão da tecnologia digital. Pode-se, também, citar um movimento na área da produção de obras de animação na Bahia.

O subsetor cinematográfico na Bahia, à semelhança do que acontece no Brasil, não está suficientemente estudado. Portanto, no presente trabalho, o método das redes sociais foi utilizado para entender como este segmento na Bahia. Com base no software UCINET, foi construída a matriz de interações entre os participantes das 107 filmes produzidos no estado entre 1993 e 2008.

Analisou-se o padrão das interações que emerge das ligações entre diretores, roteiristas, diretores de arte e de fotografia, produtores e empresas produtoras dos filmes, ou seja, a forma particular de organização desse subconjunto do mercado cinematográfico baiano. Pressupõe-se que, no processo de realização dos filmes, há compartilhamento de idéias, técnicas de produção e informações, além de influência mútua entre os atores que atuam no projeto

Os resultados mostraram que a referida rede em que pese sua baixa densidade, não apresentou subgrupos isolados, o que pode denotar que há um canal de comunicação aberto. Verificou-se também, na análise da configuração estrutural, que a distância média entre os atores é pequena, o que gera importantes implicações na formação de capital social para o processo de realização dos filmes.

Bibliografia

CARVALHO, M. S. S. Notas sobre o cinema na Bahia, ontem. 2007. Disponível em:. Acesso em: 15 mar. 2009.

GUIMARÃES, J. A. A novíssima onda baiana. 2006. Disponível em: . Acesso em: 10 set. 2008.

LOIOLA, E.; LIMA, C.. Redes sociais na produção de filmes no estado da Bahia. In: CONGRESSO SOPCOM, 6., Lisboa, 2009. Anais Sopcom/Lusocom. Lisboa: Universidade Lusófona, 2009.

MARTELETO, R. M. Análise de redes sociais – aplicação nos estudos de transferência da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n.1, p. 71-81, jan./abr. 2001.

SANTANA, P. Diagnóstico da cadeia produtiva cinematográfica na Bahia. 2006. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação) - Universidade Federal da Bahia, Salvador.

WASSERMAN, S.; FAUST, K. Social Network Analysis: Methods and Applications. Cambridge, Cambridge University Press, 2007.