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  Título
A distribuição do filme brasileiro em relação ao contexto e à recepção
Autor
Roberta Santos Assef
Resumo Expandido
O ponto de partida da proposta é o quadro da distribuição do filme brasileiro no mercado nacional de salas de exibição, de 1990 a 2007 – período demarcado, respectivamente, pela extinção da EMBRAFILME e criação do Fundo Setorial do Audiovisual. Nesse intervalo, o mercado passou por uma série de transformações, aqui abordadas, brevemente.

Um dos primeiros atos do governo Collor em sua política neoliberal foi a extinção da EMBRAFILME, órgão que, ao apoiar a produção e a distribuição de filmes brasileiros, mostrou-se decisivo para que a produção nacional obtivesse, ao longo das décadas de 1970-80, índices históricos de público e participação no mercado interno. A derrocada da produção nacional com o fim da EMBRAFILME e a subseqüente retomada quando do surgimento das leis de incentivo fiscal, denotam a dependência crônica do cinema brasileiro em relação ao Estado.

Além de deflagrar as mudanças na política interna, a globalização também se impôs no setor da exibição: grupos estrangeiros passaram a atuar no país em meados da década de 1990, modificando o cenário, até então, constituído quase que exclusivamente por empresas de capital nacional; a localização e as características dos espaços destinados ao consumo de filmes foram alteradas; as relações entre a exibição e a distribuição (cujas trajetórias, historicamente, se confundiram no Brasil), revistas. Os exibidores investiam na distribuição para ter garantia de produto e os distribuidores, na exibição, para assegurar salas e datas adequadas aos lançamentos. A concorrência entre as organizações era acirrada por meio de contratos de exclusividade/ acordos prioritários e da “divisão territorial” do mercado, também segmentado em salas “lançadoras” e de “segunda linha” - práticas incompatíveis com o modelo multiplex, em função da demanda ampliada por filmes para o suprimento das múltiplas telas e da importância dos lançamentos simultâneos com vistas a potencializar o efeito das vultosas campanhas de marketing.

No campo da distribuição especificamente, a lacuna deixada pela extinção da EMBRAFILME no que diz respeito ao escoamento da produção nacional passou a ser ocupada pela RioFilme, empresa da Prefeitura do Rio de Janeiro, fundada em 1992, e por outras companhias, ditas independentes, como a Europa Filmes; a Lumiére, que distribuiu filmes brasileiros do final da década de 1990 até 2005; e a Downtown, criada nessa mesma data.

Observou-se também a modificação das relações das distribuidoras ligadas aos grandes estúdios do cinema hegemônico com a produção local. Via Artigo 3º da Lei do Audiovisual, as majors (notoriamente, a Columbia) passaram a poder investir até 70% do valor dos impostos devidos sobre a remessa de lucros para o exterior, no desenvolvimento de projetos/ produções brasileiras. Esse investimento, no entanto, só se tornou expressivo a partir de 2002 - por meio de uma manobra legal, o Estado alçou-o de alternativo a quase obrigatório, com a criação, via MP 2228-1, de uma Condecine adicional de 11% sobre o total da remessa de lucros referida.

Nesse contexto e de volta ao referido quadro da distribuição, pretende-se investigar:

- como as transformações no mercado cinematográfico brasileiro - que repercutem outras, de âmbito global - impactaram na distribuição de filmes nacionais?

- a possibilidade de se estabelecer uma periodização da distribuição no intervalo eleito para o estudo (1990-2007), por meio da observação, ano a ano, dos seguintes parâmetros: quais (e quantas) as distribuidoras atuantes; qual o número de lançamentos de cada uma delas; qual a repercussão obtida pelos filmes lançados junto ao público (mensurada pelo número de espectadores no circuito comercial)?

Com este enfoque, espera-se conciliar as perspectivas histórico-político-econômicas com as sócio-culturais, tomando-se a distribuição como o elo ou a barreira entre a produção e a recepção dos filmes/ textos fílmicos – o locus da convergência dos interesses da cadeia produtiva e do espectador.
Bibliografia

AUTRAN, Arthur. O Pensamento Industrial Cinematográfico Brasileiro: ontem e hoje. In: MELEIRO, Alessandra (org.) Cinema e Mercado: indústria cinematográfica e audiovisual brasileira. (Coleção Cinema e Mercado, vol III). São Paulo: Escrituras Editora, 2010.

BRAGA, Rodrigo Saturnino. Distribuição cinematográfica. In: DIAS, Adriana; BARBOSA, Letícia de Souza (org). Film business: o negócio do cinema. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

GATTI, André Piero. RioFilme: uma distribuidora de filmes nacionais (1992-2000). Disponível em

http://www.mnemocine.art.br/index.php?option=com_content&view=article&id=47:riofilme&catid=35:histcinema&Itemid=67. Acesso em 30/3/2011.

GOMES, Regina. Teorias da recepção, história e interpretação de filmes: um breve panorama. Disponível em http://www.bocc.ubi.pt/pag/gomes-regina-teorias-recepcao-historia-interpretacao-filmes.pdf. Acesso em 30/3/2011.