/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
A dramatica poética/marginal do personagem afro-brasileiro
Autor
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil
Resumo Expandido
Tendo como ponto de partida a representatividade dramatúrgica contida nos filmes Rio Zona Norte, Câncer, Orfeu e 5XFAVELA agora por nós mesmo, e no corpo em que se inserem cada um dos seus personagens afro-brasileiros, procuro semelhanças e dessemelhanças, traço um fio condutor que revele a alma ou fenômeno desses personagens, sejam eles poetas ou marginais. Demonstro que nesses personagens subjaz um estrato ideológico embutido pelos seus autores. Verifico nesses filmes que além das suas qualidades estéticas, da receptividade e da sedução por parte do público e da crítica; os personagens atendem a uma determinada carência na construção mística do inconsciente político coletivo do cinema brasileiro. Destaco que sempre vive uma “consciência política/ideológica explícita ou não explícita” do autor, que permanece latente à dialética, mesmo nos filmes em que a trama não é consistente e a forma é impressionista, pois existe o compromisso do realizador com a transformação social que cerca os seus personagens. Na construção da dramaturgia do cinema moderno/contemporâneo brasileiro, e mesmo nos filmes. Rio Zona Norte, Câncer, Orfeu e 5XFAVELA agora por nós mesmo, nos quais a tensão social às vezes não é preponderante, o conflito dramático se expressa em formas estéticas sofisticadas e anuncia a realidade circundante que exploram a ação e a representatividade e dramatúrgica dos personagens. Vistos dessa maneira, os personagens afro-brasileiros representados em Rio Zona Norte Câncer, Orfeu, e 5XFAVELA agora por nós mesmo de forma especial simulam momentos culminantes e excepcionais do cinema moderno/contemporâneo brasileiro comprometido ou não com o projeto de nação. Aonde a nação cinematográfica e a nação política transparecem nos filmes vislumbrando a inclusão ou exclusão dos seus personagens do contexto social político e ideológico procurando transformá-los em heróis populares Observo, também, nesses filmes que a idéia de atualizar os personagens modernos é inseri-los na vanguarda estética e na vanguarda política, com isso situá-los no espaço periférico terceiro mundista estejam eles na envergadura de poeta ou de marginal. São personagens deslocados da periferia para o centro, tornando o seu espaço endógeno em local da cultura. Por fim, somos conduzidos a olhar os personagens poetas e marginais expressos em Rio Zona Norte, Câncer, Orfeu e 5XFAVELA agora por nós mesmo, também, como fenômenos da linguagem e da encenação cinematográfica.
Bibliografia

AUMONT, Jacques. O cinema e a encenação. Lisboa: Edições Texto Grafia, 2008 BHABA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte, Editora UFMG, 1998. BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz – a encenação no cinema. Campinas SP: Papirus, 2008. CUNHA, M. C. Negros estrangeiros. SP, Brasiliense, 1985. FERNANDES, Ronaldo Costa. A ideologia do personagem brasileiro. Brasília, Unb, 2007. LEITE, Dante Moreira. O caráter nacional do brasileiro. São Paulo, Pioneira, 1983. RODRIGUES, J. C. O negro brasileiro e o cinema. SP: Pallas, 2001. SCHWARCZ, L. M. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In___ História da Vida Privada IV. SP, Cia. das Letras, 1998.