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  Título
A Representação do Baiano no Filme Ó paí, ó
Autor
Bárbara de Lira Bezerra
Resumo Expandido
O filme Ó Paí, ó retrata um dia de carnaval na visão dos moradores de um cortiço no Pelourinho, bairro do Centro Histórico de Salvador. Características como sensualidade, malemolência e deboche corroboram com a tipificação dos personagens assim como os indicadores de violência, prostituição, turismo sexual e racismo. Estereótipos culturais, sexuais e religiosos estão presentes no longa não apenas como uma abordagem da identidade baiana mas como uma tentativa de levantar uma crítica social através da reforma do Centro Histórico e da expulsão de seus moradores.



Dentro desse contexto, formam-se espaços “discursivos”, nos quais é possível construir associações entre os próprios personagens, a trilha sonora e elementos constituintes de uma identidade baiana cuja composição recebe grande influência da tradição africana como a negritude (a cor negra), a música (o toque do tambor), a dança, a estética (a exuberância corpórea, as tranças do cabelo, as cores das roupas, dos balangandãs etc.) e a religiosidade. Apesar da Bahia ter a sua imagem associada à terra da felicidade, onde festas, praia, sol e axé music configuram uma convivência na base da tolerância racial, cultural e religiosa, o filme expõe problemas relacionados a violência, prostituição, turismo sexual e racismo, estabelecendo novos parâmetros para uma reflexão sobre o cotidiano do baiano. Dentro da perspectiva da comunicação contemporânea, o cinema e o audiovisual percebem e constroem formações que vem da política, da literatura e do turismo resultando em representações da vida social.



A pesquisa mostra que o filme Ó Paí, ó vai além do entretenimento, configurando-se num filme que apresenta uma nova perspectiva sobre as representações do baiano, transcendendo a baianidade presente nas músicas de Dorival Caymmi, Gilberto Gil e Caetano Veloso assim como na literatura de Jorge Amado. Através do estudo dessas representações no filme, recorrendo-se à peça e ao seriado quando necessário, tem-se a oportunidade de criar um espaço para que as reflexões e críticas possibilitem novas interpretações sobre a identidade baiana, considerando aspectos sócio-culturais e históricos.



Dessa forma, considerando os conceitos trazidos das relações entre a História e o Cinema de Marc Ferro, da História Cultural de Stuart Hall e Roger Chartier, procura-se observar, portanto, as formas de apropriação midiática de um imaginário social que visto ao longo do trabalho, tende a apagar diferenças, exaltar detalhes, igualar formações culturais e diferenciações sociais. Para tanto, é observado um pouco da construção desse imaginário, a que realidades responde e como seus significados migram e são apropriados pelas mídias como o cinema e a televisão.
Bibliografia

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