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  Título
Contos e Cinema processos criativos na Cinemateca e na Escola
Autor
Marina Tarnowski Fasanello
Resumo Expandido
"A alma possui uma necessidade absoluta e inexorável de constantes incursões ao encantamento." Thomas Moore



Esta pesquisa tem por objetivo discutir a relevância do ver e fazer cinema e da arte de contar histórias no âmbito da Educação Básica visando à sensibilização estética de educandos e professores. A produção acadêmica recente (BARBOSA, 2008; ALBANO, 2010; entre outros) vem apontando a importância de integrar as artes na Educação Básica. Isto, somado a minha experiência profissional desde 1997, na arte de contar histórias integrada a outras linguagens de arte na escola, aprofundaram meu interesse em dedicar a pesquisa deste mestrado nessa direção. No projeto de mestrado pretendo colocar em diálogo a contação de histórias com a arte cinematográfica alternando os contextos da escola e da cinemateca. A idéia inicial é realizarmos, numa primeira fase, pesquisa bibliográfica e discussões conceituais através do diálogo entre autores da arte-educação, cinema e educação, com destaque para autores que propõem uma visão crítica e transformadora do processo educacional através da arte e de processos criativos e que discutem questões de currículo. Encontramos Herbert Read, Ana Mae Barbosa, Jean-Claud Carrière, Alain Bergala, Martin Buber, Boaventura de Souza Santos, Ivan Illich, Tomas Tadeu da Silva. Em seguida, pretendemos realizar um trabalho de campo, no âmbito do projeto “A escola vai à Cinemateca do MAM-RJ”, uma parceria da Faculdade de Educação da UFRJ com o MAM-Rio.

Essa pesquisa, de cunho qualitativo, está pautada numa experiência prática com educandos e professores de quatro turmas de Educação Básica da rede pública do Município do Rio de Janeiro interessados em incorporar vivências voltadas a contar histórias e a uma iniciação para ver e fazer cinema em sua prática pedagógica.

Propomos atuar com as turmas em quatro encontros de duas horas e meia de duração, entre março e dezembro, com intervalo em julho e avaliação e apresentação de resultados no mês de dezembro. A primeira fase desta iniciativa consiste em organizar e oferecer uma visita guiada à Cinemateca, afetá-los com uma vivência que permita um conhecimento sensorial desse espaço desvendando alguns mistérios da sala de projeção; perceber os cheiros da Biblioteca e Centro de Documentação; etc. Serão projetados filmes em película de 35 mm privilegiando títulos que estejam vinculados a contos da tradição oral, visando motivar e sensibilizar alunos e professores. Nessa sessão cinematográfica projetaremos ainda alguns planos dos irmãos Lumière, na tentativa de partilhar com as crianças a infância do cinema

Dois encontros posteriores na escola trabalharão a arte de contar histórias através de processos criativos e uma vivência dos alunos na construção do denominado “minuto Lumiére”, (pequenos filmes de um minuto produzidos pelos próprios alunos usando a filmadora como se fosse o cinematógrafo). No quarto encontro os “minutos” serão exibidos na cinemateca do MAM-Rio. Para finalizar, uma avaliação da experiência e a realização de entrevistas semi-estruturadas com professores e alunos para avaliar a importância da arte de contar histórias e do ver e fazer cinema na prática pedagógica do professores e, no interesse dos alunos em sala de aula.

O trabalho será registrado em cadernos de campo. Pretendemos que as experiências desenvolvidas entre a cinemateca e a escola possam render alguns debates sobre questões sociais e culturais que aproximem o contexto dos alunos e potencializem sua capacidade de expressão. A hipótese investigada é que experiências baseadas em processos criativos de arte-educação constituem alternativas pedagógicas para o desenvolvimento de educandos mais autônomos e futuros cidadãos. Apostamos que ver e fazer alguma experiência de cinema e de contar histórias de forma reflexiva e criativa criará condições para essas crianças reinventarem suas próprias histórias.

Bibliografia

ALBANO, A.A.; OSTETTO, L.E. Arte na educação: pesquisas e experiências em diálogo. Caderno CEDES 30(80): 8-9. 2010

BARBOSA, A.M. Arte-educação pós colonialista no Brasil: aprendizagem triangular. Comunicação & Educação, Brasil, v. 1, n. 2, 2008.

BERGALA, Alain. L’hiphòthèse cinéma. Paris: Cahiers du Cinéma, 2002

BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.

CARRIÈRE, J.C. O Círculo dos Mentirosos. São Paulo: Códex, 2004.

ILLICH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1979.

MOORE,T. The Education of the Heart. New York: Happer USA, 1997.

READ,H. A Educação pela Arte.São Paulo: Martins Fontes, 2001.

SILVA, T. T. (org.) Teoria Educacional Crítica em Tempos Pós-Modernos. Porto Alegre:

Artmed, 1993.

SANTOS, B. S. A gramática do tempo: para uma nova cultura política, S. Paulo, Porto : Cortez Ed., Afrontamento.