/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
A poética videográfica de Marcondes Dourado: fabulação e dialogia
Autor
Danillo Silva Barata
Resumo Expandido
A pesquisa visa analisar os modos discursivos, procedimentos influenciados por condições de produção, interpretação e do discurso na relação entre o corpo e expressão videográfica. Dessa maneira, abordaremos trabalhos desenvolvidos que apontam para um caminho construído pela poética do corpo, através da utilização do vídeo, performance e vídeoinstalações. Motivado por esta tendência, buscamos uma ampliação desses conceitos e dos meios artísticos de expressão para a realização de uma pesquisa na linha de pesquisa em análise das mídias.



O vídeo, no contexto da arte contemporânea, passa por uma contínua transformação. Trata-se de uma emancipação no campo da visualidade de uma juventude informada, que modifica os métodos operacionais quanto aos gêneros e, sobretudo, às linguagens. Ao observarmos as transformações ocorridas no campo do vídeo nos anos de 1980 e 1990, notamos uma estreita relação com as práticas do registro, da performance e do diário íntimo. Evidentemente, a facilidade no uso das câmeras digitais e o “excesso” na captura e no descarte proporcionou uma mudança radical no que tange às relações com a imagem.



Marcondes Dourado faz parte dessa juventude emancipada no campo da imagem. Persegue um êxtase através da imagem e este processo se dá pela rara sensibilidade do videoartista, que consegue ser parte do ambiente que performa e, por isso, suas performances e vídeos apresentam uma pulsação curiosa e sutil.



O conjunto da obra de Dourado revela um flerte com a cultura baiana das paradas gays e, sobretudo, das comunidades marginalizadas. Podemos notar em alguns de seus trabalhos que o artista desenvolveu um gosto muito profícuo pela obra do japonês Kazuo Ohno, um dos mais inquietos e contundentes artistas da dança, pela sua contribuição ao teatro ocidental, ao fundar um novo paradigma no teatro-dança. O desconforto, a solidão e o vazio são sentimentos expostos em alguns dos seus vídeos, que convocam a uma “imagem-manifesto” de uma sociedade pós-bomba atômica.



Na produção videográfica de Marcondes, o mito da baianidade e as fábulas que permeiam sua produção são elementos cruciais para estabelecer uma conexão com a produção de um território informado por uma mistura de culturas, crenças e sexualidades. Não é demasiado afirmar que, no campo de investigações da performance e do vídeo, temos Marcondes Dourado como um de seus grandes investigadores. Apesar da pouca idade, o videoartista apresenta uma obra madura, permeada de influências que consolidam um trajeto e solidificam uma poética autoral.



A metodologia utilizada nesta pesquisa é de contato dialético entre pesquisador e conteúdos de pesquisa, dentro de uma abordagem de análise e síntese, tendo como procedimento o método experimental aliado à busca de símbolos e signos culturais análogos ao conteúdo da pesquisa e aos meios de expressão artística. A interação do pesquisador com as técnicas trabalhadas e as linguagens de expressão deverão ocorrer tanto no sentido de estudo teórico, como também visando a inter-subjetividade ao pretender uma reavaliação dos conceitos e dos meios de expressão artística sob um olhar contemporâneo.



O trabalho constante com as fontes bibliográficas e de pesquisa permitirá o confronto com os limites do novo ambiente interativo, entre o corpo e a arte mídia. Dessa maneira, nosso aporte teórico tem como base a teoria do processo, sobretudo, nas contribuições de Arlindo Machado, Philippe Dubois, Edgar Morin, Cecília Sales e André Parente, dos estudos da arte do corpo em Battcock, Renato Cohen, da antropologia, dos estudos culturais e de uma história e sociologia da arte. O próprio campo de definição do nosso objeto na área da criação e experimentação da arte e da tecnologia nos faz cruzar metodologicamente procedimentos da linguagem e da narrativa e também da investigação dos processos técnicos.

Bibliografia

BELLOUR, Raymond. Entre imagens: foto, cinema, vídeo. Campinas: Papirus, 1997.

CANONGIA, Ligia. Quase cinema: cinema de artista no Brasil, 1970/80. Rio de Janeiro, Funarte, 1981.

COHEN, Renato. A Performance como linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1985.

DUBOIS, Philippe. Cinema, Vídeo, Godard. São Paulo: Cosac e Naify, 2004

GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. São Paulo: Perspectiva, 1987.

MACHADO, Arlindo. A Arte do Vídeo. São Paulo: Brasiliense, 1995.

MORIN, Edgar. O método I: a natureza da natureza. 2 ed. Portugal: Publicações Europa-América, 1977.

Parente, André. Imagem-máquina. A era das tecnologias do virtual. Editora 34, 1993.

SALLES, Cecília. Redes da Criação:Construção da obra de arte.São Paulo:ed.Horizonte,2006.172p.

SCHECHNER, Richard. Performance Studies. New York: Routledge, 2002.

TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. O terceiro olho: ensaios de cinema e vídeo. São Paulo, Perspectiva, 2003.