ISBN: 978-85-63552-07-5
| Título | As mulheres de Glauber: Rosa entre Deus e o Diabo |
|
| Autor | Alexandre Rocha da Silva |
|
| Resumo Expandido | Muitos são os artigos escritos sobre Glauber Rocha, sobre o Cinema Novo e sobre Deus e o Diabo na Terra do Sol. Três expressões centrais da cultura brasileira que neste artigo são revisitadas desde um ponto de vista desconstrucionista que tem como ponto de partida a função sígnica desempenhada pelas mulheres – e em especial por Rosa - no filme de Glauber.
Compete à desconstrução rearranjar micropoliticamente os vetores de sentido, invertendo os valores nele contidos. Assim, Deus e o Diabo na Terra do Sol - que tem sido habitualmente pensado a partir de sua inserção no Cinema Novo, de sua importância estética em relação ao cinema brasileiro, de sua linguagem inovadora, de sua crítica política – é aqui recontado a partir de um de seus vetores minoritários: a presença da mulher. Do ponto de vista metodológico, propõe-se, como preconiza a desconstrução, colocar Rosa, personagem secundária interpretada por Yoná Magalhães, no centro da trama para daí fazer variar os sentidos do filme. Rosa entre Deus e o Diabo explora as semioses engendradas pela personagem em suas múltiplas relações: com o marido Manuel, com o Sebastião, com Dadá, com Corisco. Em cada encontro um jogo que, em última instância, vai tecendo a trama do filme, com protagonismo inesperado: o protagonismo de quem, à sombra, ardilosamente dita as regras da ação e das transformações efetivas e confere a cada parceiro o papel actancial que desempenhará. É Rosa quem se contrapõe ao marido, que age impulsivamente desde o assassinato do coronel que o explora no início do filme até a fuga em direção ao mar no final do filme, mesmo que o acompanhe em toda a trama. Também é ela quem assassina o beato e é ela quem carrega no ventre o novo filho do cangaço ao se encontrar com Corisco. Sua relação com Dadá, mulher de Corisco, instaura na trama uma lógica sensual do feminino: a preocupação das mulheres – ao contrário daquela dos homens ocupados com a guerra – é a de gerar o novo povo brasileiro. Sob este aspecto, a cena em que Dadá entrega a Rosa o véu, a flor e o lenço ritualiza um agenciamento de passagem cujo clímax surge na cena do beijo entre Rosa e Corisco ao som de Villa Lobos. Assim, o que se espera poder demonstrar são os agenciamentos minoritários de sentido que, de dentro da obra cinematográfica, tendem a instituir interpretações desconstrucionistas, essas capazes de fazer variar micropoliticamente nossos hábitos interpretativos naturalizados. |
|
| Bibliografia | BENTES, Ivana. Transe, Crença e Povo. IN: Cadernos de Subjetividade. São Paulo: PUC-SP, 1993.
|