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  Título
Das possibilidades narrativas nas plataformas de mídia
Autor
João Carlos Massarolo
Resumo Expandido
O estudo da narrativa transmídia pode ser visto como um estudo sobre o desenvolvimento de múltiplas plataformas de mídia para a exploração das possibilidades narrativas de mundos compartilhados. Nas plataformas o universo das histórias é maior do que o filme, maior até, do que a franquia, pois as “especulações e elaborações dos fãs também expandem o universo em várias direções.” (JENKINS, 2008, 158). Nas narrativas estendidas pelas plataformas de mídia, o mundo se torna objeto de referência da própria narrativa, pois não se trata mais da história de uma personagem e essa característica da narrativa transmídia fornece uma “experiência global mais complexa do que o previsto por qualquer texto sozinho” (BORDWELL, 2008). Para Henry Jenkins, em cada mídia deve ser contada uma parte significativa da história, mas o importante não é somente determinar que um produto da franquia seja auto contido e sim, que cada uma das mídias se concentre em dar o melhor de si: uma história contada numa mídia pode e deve ser expandido para outra; seu universo pode ser ampliado por meio de um romance e o seu mundo pode ser vivenciado e explorado no formato de um videogame. Apesar do inegável apelo dos estudos de mídia sobre a narrativa transmídia, as análises sobre o potencial narrativo do mundo de história podem se estender para além da abordagem teórica centrada nas mídias. No artigo intitulado ‘Transmedial Worlds – Rethinking Cyberworld Design’ (2004), Lisbeth Klastrup e Susana Tosca introduzem o conceito de mundos transmidiáveis, relacionando-o à teoria dos gêneros e da adaptação, para determinar as características dos mundos transmidiáveis, tendo em vista a aplicação desse conceito na construção de mundos virtuais. Para as autoras, os mundos transmidiáveis se constituem num sistema abstrato “a partir do qual um repertório de histórias de ficção e de personagens pode ser atualizado ou derivado através de diversas formas de mídias.” (Klastrup & Tosca, 2004)

Para as autoras, o que caracteriza os mundos transmidiáveis é o seu worldness, ou seja, as características intrínsecas ao universo. No entanto, para que o worldness possa ser estudado, o mundo deve ter uma consistência unificadora e isso se aplica não só às coordenadas espaciais, mas também ao estilo e a física, assim como os eventos passados que constituem o estado geral atual dentro do mundo. Neste processo, os usuários são capazes de reconhecerem o sistema abstrato de conteúdos ao interagirem com os mundos transmidiáveis.

Paralelamente aos estudos de Henry Jenkins e Klastrup & Tosca, a pesquisadora Marie-Laure Ryan tem explorado os ambientes dos mundos virtuais na perspectiva de uma narratologia transmídia. Nesta perspectiva, o entendimento da narrativa reside inteiramente no significado. Por isso, o significado de uma narrativa é “uma construção cognitiva, ou imagem mental, construída pelo interprete em resposta ao texto” (2004, p. 8). Para a pesquisadora, a narrativa é independente do ‘meio’ ou suporte em que a história se desenvolve. Neste sentido, o programa narrativo evocado pela história envolve um mundo habitado por objetos, eventos e personagens. O mundo de história evocado pelo programa narrativo desdobra-se pelas múltiplas plataformas de mídia, permitindo deste modo que as possibilidades narrativas do mundo virtual pré-existente sejam exploradas em diferentes suportes na interação com os usuários. Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir modelos teóricos que auxiliem na compreensão das possibilidades narrativas geradas pela narrativa transmídia. A análise privilegiará os desdobramentos das histórias nas diferentes plataformas de mídia, procurando investigar de que forma a noção de ‘mundo narrativo’ pode ser articulado a uma perspectiva que integre os estudos de mídia à narratologia transmidiática e aos mundos transmidiáveis. Estes modelos teóricos representam importantes ferramentas na análise das possibilidades narrativas que se apresentam nas plataformas de mídia.
Bibliografia

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DENA, C. Transmedia practice: theorising the practice of expressing a fictional world across distinct media and environments. University of Sydney, Australia, 2009.

HERMAN, D. Basic Elements of Narrative. Wiley-Blackwell: Oxford. 2009.

HARRIGAN, P. & WARDRIP-FRUIN, N. Third Person: Authoring and Exploring Vast Narratives. Cambridge, MIT Press, 2009.

JENKINS, H. Cultura da Convergência. São Paulo, Editora Aleph, 2008.

KLASTRUP, L. & TOSCA, S. Transmedial Worlds – Rethinking Cyberworld Design. (2004) Disponível em: . Acesso em: 25/03/2011.

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__________ Defining Media from the Perspec