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  Título
A experiência da estereoscopia no audiovisual contemporâneo
Autor
Pedro Dolosic Cordebello
Resumo Expandido
Os mesmos avanços tecnológicos que impulsionaram o cinema representam uma ameaça à hegemonia das salas de exibição atualmente. O home-theater, a pirataria de cópias e, finalmente, a disponibilidade de filmes para download na internet, suscitam mudanças urgentes na indústria, tanto no que tange aos produtos, como também no que diz respeito ao modelo de negócios. A era da convergência de mídias aponta para mudanças significativas em todo o campo audiovisual.

Por outro lado, o ressurgimento do “cinema 3-D” promove um reaquecimento no setor, instigando o espectador a retornar às salas de exibição, onde promete-se uma nova experiência visual para a narrativa fílmica. Principalmente em animação, a quase totalidade dos títulos estão sendo lançados com versões estereoscópicas, a exemplo de “Up” (Pete Docter e Bob Peterson. EUA: Walt Disney Pictures, 2009). Velozmente, a estereoscopia alastrou-se para a televisão e as novas mídias e, atualmente, vivenciamos os primeiros passos da Televisão Digital 3D ( a exemplo da BSkyB, ESPN e Discovery Networks; no Brasil a precursora foi a Rede TV, em 2010), além de sua disseminação em plataformas de videogame e dispositivos móveis, a exemplo de telefones celulares.

Na internet, muito conteúdo audiovisual em estereoscopia anaglífica pode ser acessado em sites de vídeo como Youtube. Neste meio de difusão altamente convergente é que se percebe a notável mobilização por conteúdos “3D”, e os fabricantes de produtos eletrônicos respondem à altura da nova demanda, com placas de vídeo estéreo, monitores LED “3D”, aparelhos reprodutores de discos blu-ray, celulares com telas autoestereoscópicas, entre outros dispositivos.

No cenário apresentado, justifica-se um aprofundamento dos estudos relativos ao emprego da profundidade de campo enquanto o elemento narrativo que dirige a atenção do espectador, usuário de interface gráfica ou jogador de vídeo-game.

A profundidade visual desponta como uma forte tendência ao desenvolvimento da linguagem cinematográfica, a qual prima pelo aperfeiçoamento da técnica em busca da verossimilhança à vivência da percepção natural do mundo.

Considerando os estudos científicos referentes à estereoscopia, que por sua vez remontam antes mesmo ao advento da fotografia (ZONE, 2007), e que diversas tecnologias para visualização tridimensional de imagens encontram-se em aprimoramento, fica evidente a relevância do estudo sobre as novas relações de linguagem, significação e sintaxe visual decorrentes.

O trabalho ora proposto busca elucidar tais processos de aquisição, síntese e visualização de imagens estereoscópicas empregados atualmente na indústria audiovisual. Pretende, inclusive, identificar algumas das peculiaridades relativas à produção no cinema, visto que novas regras técnicas se impõem, tomando por exemplo a decupagem de cenas de um filme estereoscópico, onde o plano de convergência passa a prescindir de consistência relativa à perspectiva entre cortes contíguos, pondo em cheque algumas teorias de montagem vigentes.

Bibliografia

ANDREW, J. D. As Principais Teorias do Cinema. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989.

BORDWELL, David. Figuras Traçadas na luz - A Encenação do Cinema. Campinas: Papirus, 2009.

GERBASE, Carlos. Impactos das tecnologias digitais na narrativa cinematográfica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2a. ed. – São Paulo: Aleph, 2009

LIPTON, L. Foundations of the Stereoscopic Cinema, a study in depth. Nova Iorque, Van Nostrand Reinhold Co., 1982.

MENDIBURU, B. 3D Movie making, stereoscopic Digital Cinema from Script to Screeen. Nova York, Focal Press / Elsevier, 2009

POMMER, M. E. Frontalidade e profundidade visual no cinema. Cad. Pesq. Interdisc. Em Ci-s. Hum-s. Florianópolis, v.11, n.98 pp.6-31, jan/jun 2010. Disponível em:. Acesso em 07 out. 2010.

ZONE, R. Stereoscopic cinema and the origins of 3-D film, 1838–1952. The University Press of Kentucky, 2007.