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  Título
O ano do dragão: “1968” e o Protesto Mudo de Glauber Rocha
Autor
Alessandra Schimite da Silva
Resumo Expandido
Em 1968, Glauber de Andrade Rocha e Afonso Beato registram imagens de uma passeata de estudantes que ocorria no Centro do Rio de Janeiro. Embora não se possa afirmar, de forma exata, a qual passeata este registro corresponda, sabe-se que ele representa um resquício histórico de um dos momentos mais emblemáticos da história política de nosso país. Nesta época, o movimento estudantil era a forma mais significativa de oposição da sociedade às ilegalidades praticadas pelo regime civil-militar, já que embora as manifestações fossem violentamente reprimidas pelo governo, a mobilização se ampliava e adquiria cada vez mais adeptos. O ano de 1968 representou de um lado, o auge dos movimentos de contestação política e, por outro lado, a intensificação da repressão por parte do Estado que instaura, no mês de dezembro, o Ato Institucional número cinco, atribuindo o poder de exceção aos governantes para punir, de forma arbitrária, todos os opositores do regime. Mil novecentos e sessenta e oito foi um ano mítico, o ano do dragão, o ano de sonhos coletivos, da luta pela liberdade e da esperança na Revolução. Embora sem um projeto ficcional para o filme, Glauber insiste em filmar a passeata apenas como um registro documental. A repressão política e a falta de liberdade de expressão impediram a continuidade do projeto e seus autores, Glauber Rocha e Afonso Beato, saíram do país no ano seguinte. Contudo, os vinte e dois minutos de filme registrados por eles eternizaram uma mensagem política que transcenderia gerações.
Bibliografia

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