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  Título
Cinema de animação: qualidades que fazem a diferença
Autor
rubens eduardo monteiro de toledo
Resumo Expandido
Este texto tem o intuito de afirmar que o Cinema de Animação é uma Arte Autônoma, que se apropriou das técnicas e das linguagens do Cinema e das Artes Gráficas para se construir. Sua linguagem se apóia na transgressão, graças à maleabilidade de seus componentes básicos, que são os mesmos do Desenho. O Desenho Animado – Cinema de Animação é um recorte dentro da Arte Animada e se refere à animação de grafismos. Se compõe dos elementos visuais básicos: linha, volume, superfície, luz e cor . A manipulação destes elementos básicos segundo técnicas adequadas, guiadas por uma linguagem, uma sintaxe plástica, permite resultados expressivos semelhantes aos conseguidos pelo Desenho e pela Pintura. O Desenho Animado, embora se utilize dos mecanismos técnicos do cinema, está mais próximo das Artes Plásticas. Em seu desenvolvimento histórico, o Cinema deixou de lado preocupações analíticas, na linha de pesquisa de movimentos adotada por homens sérios como Plateau e Marey e se concentrou na síntese dos movimentos, com foco na projeção em sala escura, como queriam Lumière e Méliès, entre outros. O Desenho Animado ainda se constrói de forma analítica, quadro a quadro, embora buscando sua síntese, em um momento posterior. O Desenho Animado não se mimetiza com o referencial externo. Suas regras não precisam das verdades do mundo físico. Seus ícones podem ser trabalhados no limite de sua representação. Como seu contrato com a realidade é tênue, não enfrenta as dificuldades de produção de filmes ao vivo, que precisam seguir as regras lógicas do universo. Em um Desenho Animado um Homem pode cair de um precipício e ficar amassado e, mesmo assim, sair escorregando, mas vivo. O Cinema precisou se utilizar das convenções dos gibis, do próprio Desenho Animado e de sua herança advinda de seus primórdios, com os filmes de perseguição, onde as ações dos personagens também não tinham conseqüências físicas. Mesmo assim, sempre com a pergunta calada; “Mas é um ser humano!”. Ninguém questiona um personagem de animação. No Cinema de Animação não existem dificuldades físicas de produção. Uma câmera pode descer do espaço exterior, atravessar nuvens, planar sobre um campo, atravessar um riacho e pousar em uma árvore. Se o Cinema de hoje pode fazer isto é com...Animação. Existem, pelo “contrato” mais relaxado com o espectador, maiores condições de se construírem códigos de diferentes complexidades na construção da trama. A animação tem lógicas próprias. Estas poucas – e importantes – diferenças são suficientes para diferenciar Artes que se utilizam do mesmo suporte e que, inclusive, trabalham juntas. O fato é que a Animação tem autonomia. Possui uma linguagem com ícones universais. Pode não se prender a um modelo narrativo clássico. Animações podem ser feitas com desenhos com areia, recortes, lixo, sombras, luzes, grafismos em película, com intenções narrativas bem diluídas ou mesmo sem intenções narrativas. O trabalho consolidado de um autor como Norman McLaren confirma isto.Tem a autonomia que o Cinema, em sua vertente principal, deixou para trás, seqüestrado por modelos narrativos engessados.. Com todo seu potencial criativo, ou apesar dele, a Animação hoje é um dos pilares da Indústria do Entretenimento, presente tanto nos filmes de animação quanto nos filmes “live-actions”, ou ainda nos videogames, que são animações interativas, campo de vastas possibilidades No Brasil, esta Arte precisa de atenção e investimentos, seja nas Universidades, em pesquisas e formação de profissionais capazes de elaborar conceitos e traduzi-los com técnica apurada, seja na expansão de produção de múltiplos gêneros, que atenda nossos interesses e levem nosso ponto de vista para um mundo que precisa de diversidade cultural.
Bibliografia

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