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  Título
Telas e Sistemas de visualização das novas formas cinema - uma revisão
Autor
Rita de Cassia Gomes Barbosa Lima
Resumo Expandido
No artigo sobre como o cinemascope seria a salvação do cinema, André Bazin enfrenta a crise da indústria do cinema, no início da década de 50 (abalada pela concorrência com a TV e o desinteresse do público pelos enredos da época), com a aposta em uma nova forma de visualização e impacto das imagens na audiência. O cinemascope e sua promessa de fazer ver mais, maior e melhor seria a salvação do cinema. Bazin trabalha principalmente com a forma cinema industrial hollywoodiano e sua narrativa dominante. Para ele essa recepção não ficaria insensível a esse impacto do "novo" que o cinemascope trazia. A questão do novo, do impacto na percepção coletiva, na ressignificação da estética fílmica através do dispositivo técnico continuam presentes. Ainda a questão realismo x ilusão emerge desse questionamento como uma forma de reencantamento possível. A tecnologia e seu estranho poder de ressignificar como mágica a estética fílmica. Aqui o reencantamento está a serviço do restabelecimento de um laço coletivo que parece em crise, esgarçado, sem força.



No dossiê sobre telas, ambientes virtuais e novas arquiteturas para exibição fílmica, do Future Cinema (2003), publicação que registra um esforço de pensamento e realização das novas formas cinema (cinema expandido), autores de culturas e experiências diversas com o pensar e fazer cinema, investigam novos ambientes virtuais, interação das narrativas e público pela imersão nas imagens e dispositivos híbridos usuário máquina, que nos levam a um ambiente de experimentação por excelência. A emergência de novas formas cinema não têm ainda expressão coletiva, mas se espalham pelos centros e laboratórios de arte e tecnologia em todo o mundo. Aí também o discurso do novo dos novos dispositivos de visualização e enunciação das novas formas cinema está presente. No entanto esses discursos estão em sua maioria identificados com os discursos das vanguardas modernistas, bem como, em parte, o discurso do Bazin, sendo que o primeiro se identifica com a quebra dos padrões narrativos dominantes e na singularização e fragmentação das narrativas e, o segundo aposta no restabelecimento desses padrões, a serviço da industria do cinema. O conflito arte x industria continua presente na proposta ideológica e estética de ambos. O momento no entanto é bem diverso. Mais de 50 anos separam esses discursos e muitos pontos de convergência e contradição se enrolam em uma tapeçaria que torna confuso o entendimento e as posições sobre as relações entre técnica e estética dessas novas formas cinema. O que quer mesmo a busca pelo novo nos experimentos entre arte x tecnologia nessas novas formas cinema? É claro que não é possível ver ainda muito além, porque estamos em pleno processo de embate ou fricção entre novas formas de criação audivisual e também novos padrões de interação, individual e coletiva.



Minha aposta é tentar recompor essas questões, através da leitura e análise dos textos já mencionados e repensá-las, tentando retirar delas uma imagem mais clara das repetições, intenções e direções que a crítica atual aponta.

Bibliografia

SHAW & WEIBEL (orgs), Future Cinema – the cinematic imaginary after film. Cambridge: MIT Press, 2003.

LEHMANN, Hans-Thiers. Teatro Pós-dramático. São Paulo, Cosac Naify, 2007.

GRAU, OLIVER. Mediaarthistories. Cambridge, MIT Press, 2007.

Barboza, Pierre. L'image actée : scénarisations numériques, parcours du séminaire l'action sur l'image. Paris, L'Harmattan, 2006.