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  Título
Novas tendências do filme ensaio
Autor
Henri Arraes de Alencar Gervaiseau
Resumo Expandido
Daremos continuidade, nesta comunicação, a reflexão desenvolvida na comunicação apresentada em 2010 a respeito de questões que o uso de imagens de arquivo levanta, reflexão que é parte integrante de pesquisa mais abrangente sobre novas tendências do filme ensaio, dentro do campo que se convencionou denominar de documentário.

Procuraremos, neste quadro, através da análise de alguns filmes contemporâneos estrategicamente escolhidos, identificar modos diferenciados de articulação, no desenrolar destas obras audiovisuais, entre menções escritas, som verbal, musical, os ruídos, e a imagem (seja fixa ou em movimento, de base pictórica, fotoquímica ou eletrônica), bem como apontar, em cada caso, para o sentido do modo de composição escolhido.

Veremos como, entre outros, em Histoire (s) du cinéma de Jean-Luc Godard, e Imagens do mundo e inscrição da guerra de Harun Farocki, a montagem se constitui a partir de materiais sonoros e visuais preexistentes, cuja estruturação e combinação não apenas deixa transparecer os rastros de um processo de pensamento mas ainda os incorpora na própria textura do filme, suscitando duvidas sobre a relação entre o mundo histórico e a sua representação.

Examinaremos como um modo de composição de matérias de expressão fundado no entrecruzamento de múltiplas associações de idéias, faz emergir questões e provoca a confrontação de pontos de vista, no movimento de elaboração de uma verdade interpretativa construída no tempo.

Buscaremos, por outro lado, ao analisar a obra de Harun Farocki, e o documentário 48 de Suzana de Souza Dias, discutir a idéia, recentemente avançada por Georges Didi-Huberman, da existência de “cineastas na terceira pessoa” e de ensaios fílmicos nos quais uma relativa impessoalidade não exclui a manutenção da intensidade da emoção frente a experiência vivida por outrem. Através da evocação destes dois filmes, mostraremos que o ensaio filmíco, que busca, de diferentes modos, compor uma expressão de experiência (s) vivida (s) na duração, deve pressupor tanto o rigor de uma forma quanto a intensidade de uma emoção.



Bibliografia

Adorno, T.: O ensaio como forma, in: Adorno, T.: Notas de literatura I. SP: Editora 34 / Livraria Duas Cidades. 2003, p.15-45.



Aumont, J.: Montage Eisenstein. Paris: Éditions Albatros. 1979.



Blanchot, M.: La voix narrative (le il, le neutre), in: Blanchot, M.: L’entretien infini. Paris: Gallimard. 2009, p.556-567.



Didi-Huberman, G.: Remontages du temps subi. L’oeil de l’histoire 2. Paris: Éditions de Minuit, 2010.



Feldman, I.: Na contramão do confessional. O ensaismo em Santiago, Jogo de Cena e Pan-cinema permanente, in: Migliorin, C.: Ensaios no real. O documentário brasileiro hoje. RJ: Azougue Editorial. 2010, p.149-167.



Gaudes, P. (org.): L’essai, métamorphoses d’un genre. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail. 2002.



Liandrat-Guiges, S. et Gagnebin, M.: L’essai et le cinéma. Seyssel. Editions Champ Vallon, 2004.



Xavier, I.: A construção do pensamento por imagens, in: Novaes, A. (org.): Artepensamento. SP: Cia das Letras. 1994, p.359-374.