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  Título
Os jogos intertextuais no cinema de Claire Denis
Autor
Marcus Mello
Resumo Expandido
A presente comunicação propõe uma análise da obra da diretora francesa Claire Denis, a partir das relações intertextuais de seus filmes Chocolat (1988), Beau Travail (1999) e White Material (2009) com a literatura de Doris Lessing, Herman Melville e Joseph Conrad. Criada na África, mais especificamente na Republica de Camarões, Denis vem produzindo desde o final da década de 1980 uma das filmografias mais consistentes do cinema recente. Já com 10 longas de ficção no currículo, a autora tem como um de seus temas centrais as repercussões do passado colonialista europeu na sociedade contemporânea. Este interesse ganha forma através do original diálogo que seus filmes estabelecem com a obra dos escritores acima citados, igualmente preocupados em refletir sobre a condição colonial.

Embora o ponto de partida do último filme de Denis, White Material, tenha sido um convite da atriz Isabelle Huppert para que ela adaptasse o primeiro romance de Doris Lessing, A Canção da Relva (1950), a diretora preferiu optar por um roteiro original, assinado pela escritora francesa de origem africana Marie N´Daye. Como costuma fazer em seus outros filmes, Denis propõe ligações menos evidentes entre a literatura e seu cinema, lançando-se a um complexo jogo de paralelismos intertextuais, a exemplo do que já fizera com Beau Travail, filme que a consagrou, e a novela póstuma de Melville, Billy Budd.

Bibliografia

CONRAD, Joseph. O coração das trevas. São Paulo: Abril, 2010.

FONTANEL, Rémi (org.). Le cinéma du Claire Denis, ou l’énigme des sens. Lyon: Aléas, 2008.

FRANÇA, Andréa & LOPES, Denilson. Cinema, globalização e interculturalidade. Chapecó: Argos, 2010.

LESSING, Doris. A canção da relva. Rio de Janeiro: Record, s/d.

MELVILLE, Herman. Billy Budd. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

STAM, Robert e SHOHAT, Ella. Crítica da imagem eurocêntrica.

São Paulo: Cosac & Naify, 2006.