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  Título
Novas tecnologias, novas audiências e novos videoclipes
Autor
Ariane Diniz Holzbach
Resumo Expandido
Desde que o videoclipe surgiu, diversos autores tem apontado a sua veia televisiva (MACHADO, 2001; GOODWIN, 1992; KAPLAN, 1993). A televisão, de fato, fixou a linguagem de videoclipe e obrigou o gênero a se adaptar a grades de programação e a toda uma lógica estrutural baseada na idéia de fluxo (WILLIAMS, 1990). Uma das consequências que esse cenário propiciou foi que a gravação musical penetrasse “inequivocadamente na corrente principal da comunicação de massa” (ARMES: 1999:169) e mudasse, assim, a lógica de produção e consumo da música. O rádio, nesse contexto, teve que se adaptar ao fato de não mais ser o lugar por excelência do lançamento da música massiva inédita, especialmente com o surgimento da MTV. À medida que aumentava seu campo de atuação, a emissora passou a lançar a maior parte das músicas dos artistas mais conhecidos. Assim, ao lançar um álbum, além da música de trabalho e do single, era necessário também pensar na parte "visual” das canções. As emissoras e a indústria fonográfica controlavam a veiculação do videoclipe na maior parte do mundo e a atuação da audiência era bastante frágil e se limitava às etapas finais do circuito, ligadas às experiências de expectatorialidade. A partir dos anos 2000, este cenário mudou.

A popularização das novas tecnologias lideradas pela internet tem modificado radicalmente a experiência e o circuito de produção, veiculação e consumo do videoclipe no mundo. A televisão "tradicional", por onde o videoclipe se solidificou enquanto objeto cultural, tem sido obrigada a dividir o espaço de veiculação de videoclipes com novas plataformas audiovisuais, como smartphones e sites de grande impacto social como o YouTube. Com isso, o circuito do videoclipe sofreu uma radical transformação. A produção, a veiculação e o consumo do gênero estão divididos agora entre os produtores e veiculadores “tradicionais” – emissoras, indústria fonográfica – e a audiência. Isso tem modificado sobremaneira a cultura do videoclipe, pois a audiência tem se inserido em todas as etapas do circuito: produzindo, veiculando, consumindo e, inclusive, fazendo parte das produções realizadas pelos produtores “tradicionais”. Essa nova característica tem propiciado novas experiências no campo estético do videoclipe, que sempre se mostrou aberto à experimentação. Com isso em mente, este trabalho fará uma análise de videoclipes oficiais contemporâneos, ou seja, elaborados com a sanção dos grupos musicais aos quais se referem, que mostram novos caminhos estéticos para o gênero e que tem a audiência como a grande protagonista.

Bibliografia

ARMES, Roy. On vídeo: o significado do vídeo nos meios de comunicação. São Paulo: Summus, 1999.



GOODWIN, Andrew. Dancing in the distraction factory. Minneapolis: University of

Minnesota Press, 1992.



KAPLAN, E. Ann. “Feminismo/Édipo/Pós-modernismo: o caso da MTV”. In: Kaplan, E. Ann (org.). O mal estar no pós-modernismo: teorias, práticas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,

1993.



MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo: Editora SENAC, 2000.



WILLIAMS, Raymond. Television, technology and cultural form. 2 ed. London: Routledge, 1990.