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  Título
Novo cinema português - da crítica à prática cinematográfica
Autor
Paulo Jorge Granja
Resumo Expandido
Novo Cinema Português e Nouvelle vague- Da Recepção Crítica à Prática Cinematográfica





Quando em Maio de 1959, Hiroshima mon amour, de Alain Resnais, e Les quatre cents coups, de François Truffaut, anunciaram no Festival de Cannes a chegada de uma «Nova Vaga» no cinema francês, a necessidade de um novo cinema nacional era desde há muito sentida em Portugal. De facto, ao longo da década anterior, várias tinham sido as propostas ou mesmo tentativas de renovação do cinema português, mas todas elas se tinham revelado esteticamente muito aquém das expectativas e incapazes de criar uma continuidade de produção. No início dos anos 60, um pequeno número de realizadores tentaria dar resposta àquela necessidade, dando origem a uma ruptura estética que ficaria conhecida como «cinema novo» ou «novo cinema português». Apesar do seu flagrante fracasso comercial, a geração de realizadores, produtores e críticos de cinema que o defenderam acabariam por conseguir impor uma nova concepção de cinema e lentamente ocupar todos os pontos estratégicos institucionais a partir do qual puderam promover, produzir e realizar um cinema de qualidade artística, elevado para que o cinema Português contemporâneo é ainda muito obrigado

Fazer a história do cinema português dos anos 60 é, pois, em grande medida, fazer a história deste movimento de renovação cinematográfica, não apenas porque o tipo de produção anterior definharia a ponto de praticamente desaparecer, mas principalmente porque, para o bem e para o mal, este novo cinema viria, até hoje, a identificar-se, nacional e internacionalmente, com o «cinema português». Os principais marcos desta história, principalmente do que se pode chamar o primeiro Novo Cinema Português, estão, no entanto, há muito identificados, pelo que o que nos propomos aqui discutir as características estéticas do Novo Cinema Português, descrevendo suas relações com a Nouvelle Vague francesa e respectiva recepção crítica e, portanto, reinterpretar este novo cinema artístico Português no contexto mais amplo dos modos de financiamento, os circuitos de promoção e exibição, bem como da cinefilia e da cultura cinematográfica internacional da década de finais de 50 e inícios de 60.

Bibliografia

András Bálint Kovács, Screening Modernism: European Art Cinema, 1950-1980, Chicago: University Of Chicago Press, 2008.

Geoffrey Nowell-Smith, Making Waves: New Cinemas of the 1960s, New York /London: Continuum Press, 2008.

Jacques Lemière, «“Um centro na margem”: o caso do cinema português», Análise Social, vol. XLI (180), 2006, pp. 731-765.

Paulo Filipe Monteiro, «Uma margem no centro: a arte e o poder do “novo cinema”’», in Luís Reis Torgal (coord.), O Cinema sob o Olhar de Salazar, Lisboa: Círculo de Leitores, 2000, pp. 306-338.

Cunha, Paulo, Os filhos bastardos – Afirmação e reconhecimento do Novo Cinema Português (1967-74), Coimbra, FLUC (Master Thesis), 2005.