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  Título
As composições de Radamés Gnattali para o cinema brasileiro nas décadas de 50 e 60
Autor
Cintia Campolina de Onofre
Resumo Expandido
O músico brasileiro Radamés Gnattali nasceu em 1906 (RS) e faleceu em 1988 (RJ). Sua carreira foi marcada por incessantes trabalhos como pianista, maestro, compositor e principalmente por trabalhos na área de arranjos. Gnattali é considerado um dos maiores arranjadores da música brasileira e o fato de dominar esse procedimento da área musical lhe trouxe muitas vantagens dentro da linguagem cinematográfica.

Além de ser um exímio instrumentista, Radamés trabalhou muito tempo na Rádio Nacional no Rio de Janeiro, desde sua fundação em 1936 até meados dos anos 60 e contribuiu nessa instituição com mais de 10.000 arranjos. Na Rádio Nacional, ele fazia mais de 10 arranjos por semana para uma variada programação, com diversas formações instrumentais, principalmente orquestrais. A produção era acelerada, pois a programação do rádio, principal meio de comunicação e entretenimento na década de 50, demandava uma gama enorme de possibilidades musicais. Sua habilidade em orquestrar muito rapidamente e sua originalidade nos arranjos, chamaram a atenção de alguns diretores de cinema e Radamés durante sua carreira escreveu trilhas musicais para aproximadamente 60 filmes.

A maior produção para o cinema nacional de Radamés foi nas décadas de 50 e 60. São cerca de 40 filmes de ficção, nos quais seu nome está ligado à direção, seleção musical, composição e arranjos. Percebemos nesses dois períodos, fases distintas de suas proposições musicais de acordo com o diretor e o gênero do filme em que trabalhou.

Na década de 50, podemos dividir a trilha musical dos filmes realizada por Radamés em três estruturas: as canções orquestradas para o gênero da comédia, as inserções musicais para filmes do gênero do drama e para filmes com características neorealistas. Estão na primeira fase os filmes: Sai da frente, Nadando em dinheiro, Marujo por acaso, Rei do movimento, Angu de caroço, Quem sabe... sabe!, O camelô da rua larga, entre outros. Na segunda fase listamos dois filmes O diamante, Tico tico no fubá e na terceira os dois filmes dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, Rio 40 graus e Rio Zona Norte.

Já em 60, no início da década, ainda percebemos características de inserção musical semelhantes à primeira fase da década de 50, com os filmes Eu sou o tal, Viúva Valentina, Sai dessa recruta. Entretanto, nesta década também assinalamos diferenciações bem pontuais com relação ao tipo de composição, arranjo, instrumentação e caráter da trilha. Podemos perceber esse comportamento de inserção da música em Assassinato em Copacabana, Fábula, A falecida e Grande sertão. Essas percepções diferenciais estão também ligadas à direção, ao gênero, a biografia de Radamés e as transformações da própria música popular no Brasil.

Nosso trabalho contextualiza essas estruturas de acordo com a teoria de música para cinema para verificação de possíveis configurações particulares na trilha para cinema brasileiro. Escolhemos essas décadas subseqüentes por apresentarem significativa produção, além de transformações importantes para o entendimento do trabalho de Radamés Gnattali no cinema brasileiro.

Bibliografia

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