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  Título
Imagens, cinema, vida moderna e seus agentes
Autor
Gilmar Santana
Resumo Expandido
Por constituir-se de essencialmente uma atividade industrial, o cinema resulta de um trabalho em equipe que compreende no seu “fazer-se” criativo, a visualização e articulação dos agentes que compõem suas redes – tanto técnicas como artísticas – dentre os quais diretores, roteiristas e produtores, principais atores sociais que conduzem seu eixo central: Por outro lado, também o público age de maneira determinante em sua realização, por isso as constantes mudanças de linguagem, técnica e temas. Esse fluxo constante entre eles – que envolve economia, política, cultura e sociedade para seu desenvolvimento – torna essa discussão um objeto sociológico.

Dentro dessa relação recíproca entre equipe cinematográfica e público que se processa a criação fílmica. Nesses termos, pensar o cinema e seus cineastas – obras, ascensão, manutenção ou declínio – corresponde identificar a dinâmica contínua das produções em seus tempos históricos e ações presentes em cada contexto social. Desse modo, torna-se importante analisar de maneira sistematizada seus interlocutores e com eles, seus resultados imagéticos.

Sob esses referenciais, em seu desdobramento, não apenas surge de maneira clássica a produção do cineasta e dos filmes a partir de uma matriz da grande indústria, mas também de seus suportes. Esses que hoje, com os materiais leves e inúmeros recursos de filmagem que vão desde câmaras filmadoras portáteis até celulares.

Como resultado e agente direto da linguagem e da ação da vida moderna, o cinema - por intermédio de vários interlocutores - atua com recursos técnicos que refazem continuamente as formas de olhar e de se apropriar das imagens. Oscila entre a extinção e a ressurreição adquirindo novos significados, corporificando novas lógicas de narração, expressão e contextos sociais contemporâneos. Nesse sentido, cabe às Ciências Sociais não apenas analisar e evidenciar esse quadro, como também intervir nos diálogos estabelecidos entre as várias esferas nos sentido de também produzir e debater suas próprias construções tanto escritas como imagéticas.

O que se propõe aqui portanto, é que na busca de perceber na relação entre criadores já instituídos na indústria cinematográfica, seus espectadores e os novos produtores de imagem: pessoas comuns que criam a seu modo seus registros em associações, projetos governamentais, e cientistas sociais com projetos em Ongs ou universidades, se evidencie a imagem como elemento decodificador das relações e valores sociais construídos e resignificados num tipo de vida moderna que se torna a cada dia mais complexa, porém simultanemante mais fluída, mais comunicativa.

Na teia dessas relações, a análise científica torna-se central como problematizadora de agentes que se revelam nas próprias imagens. Compreender o desenvolvimento do trabalho e da imagem social como resultado da interação e confluência de interesses entre produtores, críticos, público e novos criadores nos diversos aspectos onde se envolvem mercados nacionais e internacionais ou apenas maneiras de se fazer imagens visando diferentes interesses que passam pela organização social, grupos políticos ou culturais é tarefa da investigação que evidencie não apenas as mensagens ou suas ideologias, mas nessa construção a edificação da própria lógica do fazer-se social simultânea a ela.

Bibliografia

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STAM, Robert e SHOHAT, Ella. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo: Cosacnaify, 2006.

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