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  Título
Sympathy for vengeance: o universo aterrorizante de Park Chan-wook
Autor
HUMBERTO LIMA SALDANHA MAGALHÃES SILVA
Resumo Expandido
Desde o início dos anos 2000, o da Coréia do Sul recebe destaque considerável no cenário ocidental, figurando com prestígio em festivais internacionais como o de Berlin, Cannes, Veneza, dentre outros. Diante de tal contexto, a obra do cineasta Park Chan-wook tem chamado atenção graças à aproximação entre as convenções genéricas provenientes do ocidente a uma estética inerente ao contexto de produção local, criando, desse modo, um mundo ficcional pessimista e violento, ao mesmo tempo em que constrói um universo coeso e representativo.



Embora sua obra não tenha despertado interesse para os estudos acadêmicos relacionados ao cinema, uma vez que são poucas as pesquisas sobre seu trabalho, a boa recepção de seus filmes no âmbito da crítica lhe rendeu diversas premiações. Entre elas destacam-se o Grande Prêmio do Festival de Cannes, oferecido em 2004 ao longa Oldboy2 (idem, 2003), em 2005, no Festival de Veneza, Sympathy for Lady Vengeance (Chinjeolhan Geumja-si, 2005) recebeu o Pequeno Leão de Ouro de melhor filme e em 2008, Thirst (Bak-Jwi, 2008) foi agraciado com o Prêmio do Júri do Festival de Cannes.



O presente trabalho parte do pressuposto que Park é detentor de uma obra particular, com pequenos traços distintivos, para tentar compreender como a estilística atribuída à sua intenção autoral contribui para a construção narrativa das obras concernentes à Trilogia da vingança, composta por Sympathy For Mr. Vengeance (Boksuneun Naui Geot, 2002), Oldboy (idem, 2003) e Sympathy For Lady Vengeance (Chinjeolhan Geumja-si, 2005).



Tais produções, especificamente, se convertem em uma unidade não pela presença de personagens comuns às três histórias, mas por lançarem um olhar sobre a vingança. As fábulas acompanham personagens à procura de revanche pelo mal que lhes fora causado, passam a percorrer isso como o único modo de encontrar um alívio para o sofrimento inerente a cada um.



O corpus escolhido é capaz de contemplar as singularidades da obra do cineasta, uma vez que seu estilo está impresso na construção plástica, narrativa e temática. Sendo assim, a proposta é examinar como certos elementos se organizam internamente nesses filmes, a fim de provocar efeitos no âmbito da apreciação. A pesquisa foi guiada por dois principais pressupostos teóricos, os conceitos de narrativa de influência Neoformalista, trabalhados pelo pesquisador David Bordwell (1996), além dos preceitos inerentes à metodologia Poética do Cinema, desenvolvida pelo pesquisador Wilson Gomes (2004), cuja premissa considera o filme um conjunto de estratégias construídas para suscitar determinados ânimos no espectador.



Aliado a tais perspectivas, parte-se do pressuposto que a construção narrativa dialoga com aspectos inerentes ao gênero cinematográfico terror, já que a violência é recorrente nos filmes em questão. Imagens de torturas e assassinatos, segundo Nöel Carrol (1999), confirmam tal suposição, pois, a condição essencial para tal categoria genérica é a presença de um perigo iminente passível de ser provocado por uma ação humana.



As obras escolhidas estão circunscritas no que vem a ser o Novo Cinema Coreano, termo utilizado por Chi Yun Shin e Julian Stringer (2005) para se referir às obras realizadas a partir de meados de 1990, na Coreia do Sul, graças à consolidação da indústria cinematográfica local e ao surgimento de uma nova geração de cineastas, dessa vez com formação universitária. Outras características relevantes referem-se à associação das obras ao cinema de gênero e, por fim, a emergência de trabalhos de grandes orçamentos, os chamados Korean Blockbusters.



Com a análise da obra de Park, busca-se demonstrar como a utilização de uma poética atrelada à violência, cujas estratégias narrativas são voltadas para a concepção de um mundo ficcional pessimista e vingativo, constrói um universo coeso. Atrelado a isso, pretende-se também lançar luz a um fenômeno presente na cinematografia mundial: a consolidação de uma indústria cinematográfica sul-coreana.
Bibliografia

ALTMAN, Rick. Los géneros cinematográficos. Barcelona, Buenos Aires e México: Paidós, 2000.



ARISTÓTELES. Arte Poética. 1ª Edição. São Paulo: Martin Claret, 2007.



BORDWELL, David. La narración en el cine del ficción. Buenos Aires e México: Paidós, 1996.



CARROLL, Nöel. A filosofia do horror ou paradoxos do coração. Campinas: Papirus, 1999.



CHOI, Jinhee. The south Korean film renaissance: local hitmakers, global provocateurs. Middletown: Wesleyan University Press, 2010.



CHOI, Jinhee; WADA-MARCIANO, Mitsuyo (orgs.). Horror to the Extreme: Changing Boundaries in Asian Cinema. Hong Kong: Hong Kong University Press, 2009.



GOMES, Wilson. La poética del cine y la cuestión del método en el análisis fílmico. São Paulo: Significação, n. 21, 2004.



SHIN, Chi Yun e STRINGER, Julian (orgs.). New Korean Cinema. New York: New York University Press, 2005.



YOUN-HUI, Lim. Park Chan-wook: Savior of violence. Seoul: Korean Film Council, 2005.