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  Título
Pesquisa-intervenção: experiências audiovisuais das juventudes
Autor
Deisimer Gorczevski
Resumo Expandido
Acompanhar processos de in(ter)venções audiovisuais das juventudes em territórios de criação, produção e circulação, na perspectiva de cartografar como os jovens (e seus coletivos) experimentam o poder de intervir e inventar imagens e sonoridades de si e do mundo na configuração de práticas micropolíticas, em Fortaleza e Porto Alegre – é um dos objetivos da pesquisa iniciada na parceria da UFC e da UFRGS.

A ambiguidade imposta pelo parêntese incorporado à palavra intervenção sugere alguns aspectos de análise e remete a pensar nos seus múltiplos sentidos . Nesse estudo, compreende-se o termo in(ter)venção relacionado às práticas que buscam interferir em “algo” – aqui se define como territórios existências e modalidades audiovisuais – com o objetivo de perturbar seu desenvolvimento e, desse modo, reinventá-los. São práticas comunicacionais constituídas no exercício do “poder”, pois inserem autoridade, evocam opiniões, ideias, produzem e agenciam informações e conhecimentos.

Como pesquisadores das temáticas que envolvem in(ter)venções audiovisuais, juventudes, movimentos de criação e resistência e politicas públicas nos perguntamos: Como construir estratégias metodológicas que propiciem conhecer o que é vivido nos territórios das juventudes e observar como esses desafios têm (ou não) sido enfrentados nas práticas de pesquisa, ensino e extensão.

Uma das estratégias para dar conta do exercício teórico-metodológico foi sendo operada com as contribuições da Pesquisa-Intervenção, assim como aparecem nos estudos de Benevides e Passos (2002), Rosário (2008); Aguiar e Rocha (2003; 2007) e Passos, Kastrup e Escóssia (2010). Este método orienta a aproximação ao campo considerando que pesquisador e pesquisado se constituem ao mesmo tempo, numa busca de questionamento do sentido da ação. O caráter de pesquisa acompanha a intervenção, pois esta só é possível a partir da construção de um campo conceitual que dê conta da complexidade da problemática que o contexto social nos apresenta.

As experimentações com as tecnologias audiovisuais recebem novas interpretações, sendo algumas muito próximas ao entendimento de Machado (1992/1993). Na compreensão deste autor, o audiovisual procura uma linguagem própria, deixando de ser apenas um modo de registro, um recurso pedagógico ou de documentação “(...) para ser encarado como um sistema de expressão”.Desse modo, o processo de produção de significados encontra um dispositivo com características da contemporaneidade, inovando através do que se poderia chamar de uma “linguagem de vídeo”. Nesta perspectiva, o dispositivo audiovisual tende a ir além de uma visão pedagógica, instrumental ou ilustrativa (GORCZEVSKI,D. MARASCHIN. C. CHASSOT. 2006).

Atento para as contribuições relativas ao método da cartografia, em particular nos estudos de Gilles Deleuze, Félix Guattari, Sueli Rolnik. A cartografia vem sendo apresentada e problematizada contemporaneamente – num movimento de resgate da dimensão subjetiva da criação e produção de conhecimento – também por autores como Michel Serres e Martín-Barbero (2002), especialmente no livro “O ofício de cartógrafo”.

A metodologia de pesquisa qualitativa encontra na Pesquisa-Intervenção lugar para expressar ainda mais os conflitos no percurso do processo metodológico. O exercício da pesquisa-intervenção sugere a emergência de saberes e práticas de reflexividade que podem configurar propostas sociais e comunicacionais desviantes de perspectivas moralistas ou preventivas fornecendo subsídios aos projetos e políticas públicas, bem como dos movimentos de criação e resistência que fazem uso de tecnologias de comunicação e arte tendo como perspectiva um alargamento das potências de vida das juventudes nas nossas cidades.

Bibliografia

AGUIAR, K. F. e ROCHA, M. L. Pesquisa-intervenção e a produção de novas análises. Revista Psicologia. v. 23 n.4 Brasília dez. 2003.

______.Micropolítica e o Exercício da Pesquisa-intervenção. Revista Psicologia. 2007. 648-663.

MARTIN-BARBERO, J. El Ofício de un Cartografo: Travesías latinoamericanas de la comunicación en la cultura. Chile: 2002.

DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Mil Platôs - v.1. Rio de Janeiro: Ed.34.1995.

GUATTARI, F; ROLNIK, S. Micropolítica:Cartografias do Desejo.4.ed. Petrópolis: Vozes, 1996.

GORCZEVSKI, D.; MARASCHIN, C.; CHASSOT, C. Tecnologias Audiovisuais em Oficinas Sócio-Educativas. Brasília, DF: INTERCOM,2006.

PASSOS, E. KASTRUP, V.ESCÓSSIA, L. Orgs. Pistas do método da cartografia. Pesquisa-Intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre:Sulina. 2010.

ROSÁRIO. N. Mitos e Cartografias: Novos Olhares Metodológicos na Comunicação. In. Maldonado, E. Bonin, J. Rosário. N. Orgs. Perspectivas Metodológicas em Comunicação. João Pessoa: Ed. UFPB,2008.195-220