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  Título
latino-americanismo - da literatura ao cinema
Autor
Maria Alzuguir Gutierrez
Resumo Expandido
Há quem coloque em discussão o termo nuevo cine latinoamericano: Tzvi Tal, por exemplo, pretende demonstrar que não se trata de um movimento cinematográfico homogêneo, concentrando-se na diferença entre propostas como o “cinema clandestino” e a vertente “industrialista”. Segundo Fabián Núñez, Tal procura comprovar que, embora tenha havido um “projeto continental”, este consistiria mais em “uma intenção, uma retórica”, do que em algo realmente efetivo. Tzvi Tal enfoca “as fissuras do suposto ‘projeto continental’” - tornado senso comum, de acordo com ele - no âmbito acadêmico anglo-saxão, que lançaria um olhar exotizante à produção latino-americana. Por não se tratar de conceito geográfico, o termo América Latina sempre foi questionado e tem sido contestado no cenário da globalização, em que as identidades já não passariam mais por nações, classes ou idéias políticas. Tampouco se trata de noção meramente lingüística, já que no termo se incluem, muitas vezes, países do Caribe onde se falam línguas não latinas. Arturo Ardao afirma que o nome teria surgido na França em meados do século XIX, nos textos do colombiano Torres Caicedo; e que seria anti-imperialista desde sua raiz, já que seu uso guardava uma intenção clara de diferenciação em relação à América anglo-saxã, no momento em que os Estados Unidos avançavam em intervenções imperialistas no México e América Central. Para a difusão da idéia de América Latina contribuíram de maneira fundamental a literatura e a crítica literária, cujos autores passaram a considerar, primeiro, a literatura hispano-americana como um todo, e depois, já no século XX, adotaram o nome América Latina. Fernández Retamar aponta Martí como um dos precursores de uma visão hispano-americana na crítica literária, e identifica três momentos chave de intercomunicação entre os países da América Latina - o romantismo, o modernismo hispano-americano (no Brasil, período do parnasianismo e simbolismo), e as vanguardas (modernismo brasileiro), que formariam a base para a unidade mais sólida lograda no período da nueva narrativa hispanoamericana. Durante os anos 1960 e 1970 houve, tanto na literatura como no cinema, um inegável “momento crítico de consciência latino-americana”, de intercâmbio e esforço coletivo pela criação de uma literatura/cinematografia, e de reflexão a respeito de todo o processo artístico. Tal afinidade inseria-se em uma tradição letrada, que procurou forjar um projeto nacional-continental. Hoje, apesar de já não haver um grupo de cineastas voltados à criação de um cinema latino-americano, ainda se fala na promoção de um mercado ibero-americano, em programas de incentivo à co-produção, e, aqui e acolá, realizam-se festivais e mostras de cinema latino-americano. Assim, pretendemos discutir o latino-americanismo no período dos chamados cinemas novos e nos dias atuais, tomando como base a discussão feita a este respeito no âmbito literário, em que é bastante mais desenvolvida.
Bibliografia

ARDAO, Arturo. América Latina y la latinidad. México: UNAM, 1993. CASTRO-Gómez, Santiago, e Eduardo Mendieta (eds.). Teorías sin disciplina (latinoamericanismo, poscolonialidad y globalización en debate). México: Miguel Ángel Porrúa, 1998. FERNÁNDEZ Retamar, Roberto. “Intercomunicação e nova literatura”. In: FERNÁNDEZ Moreno, César (org.). América Latina em sua literatura. São Paulo: Perspectiva, 1979. pp325-339. MORAÑA, Mabel [et al.] (eds.). Coloniality at large. Latin America and the Poscolonial Debate. Durham, Londres: Duke University Press, 2008. NÚÑEZ, Fabián Rodrigo Magioli. O que é Nuevo Cine Latinoamericano?: o cinema moderno na América Latina segundo as revistas cinematográficas especializadas latino-americanas. Tese de doutorado. Niterói: UFF, 2009. TAL, Tzvi. Pantallas y revolución: uma visión comparativa del cine de liberación y el cinema novo. Buenos Aires: Lumière/Universidade de Tel Aviv, 2005.