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  Título
Festivais audiovisuais no Brasil: uma proposta de categorização
Autor
Tetê Mattos [Maria Teresa Mattos de Moraes]
Resumo Expandido
No segmento do audiovisual brasileiro o setor dos festivais de cinema e vídeo vem apresentando um significativo crescimento no decorrer das últimas décadas, revelando um enorme potencial cultural, social e econômico.

Em 2007 a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, em parceria com o Fórum dos Festivais (associação de classe que representa o segmento dos festivais no Brasil), apresentou os resultados de um estudo inédito, intitulado Diagnóstico Setorial 2007 / Indicadores 2006, que divulgou dados relativos a 132 eventos audiovisuais realizados no Brasil e no exterior por produtores brasileiros. Através desta pesquisa foi possível conhecer um pouco mais o setor dos festivais audiovisuais que revelou extraordinária vitalidade tanto nos aspectos artístico-culturais, quanto econômicos e sociais As informações apresentadas de forma sistematizada revelaram um conjunto de informações sobre a função dos festivais, perfis dos eventos, impactos econômico, social e cultural, volume de recursos movimentados pelo setor, fontes de recursos, patrocínios e apoios, geração de emprego, quantidade de exibições, quantidade de filmes exibidos, distribuição regional do circuito de festivais, quantidade de espectadores, perfil dos orçamentos de execução, período de realização do circuito de festivais, entre outros.

Porém, ao analisarmos os dados revelados neste inédito estudo, nos deparamos com um segmento extremamente heterogêneo, plural e de tamanha diversidade, que dificultava qualquer tipo de categorizações totalizante.

Esta comunicação tem como objetivo apresentar modelos de categorização do segmento dos festivais audiovisuais brasileiros que permitam uma compreensão mais aprofundada do setor, partindo de uma análise comparativa entre os eventos.

Trabalharemos com quatro categorias que irão permitir uma análise dos valores e significados que encontramos por trás de um festival. A primeira categoria intitulada de “festivais de estética” identifica eventos que privilegiam a dimensão artística/estética das obras exibidas. A segunda categoria, os “festivais de marketing”, privilegiam a exibição de obras voltadas para o mercado. A terceira categoria identificada aqui como “festivais de política”, trata dos eventos associados a movimentos sociais e/ou lutas da sociedade civil. E a quarta categoria, chamada de “festivais de região”, que trata dos eventos onde a dimensão do local/regional assume importância privilegiada na seleção das obras e na formação de novas platéias.

Os festivais se diferenciam pelos seus perfis (temáticos, universitário, de animação, documentário, ambiental, infantil, entre outros), pelos seus objetivos (reflexão, difusão, mercado, inserção social, turismo), pelos seus portes (grande, médio e pequeno), pela organização (produtores independentes, empresários, prefeituras, estado), pelas formas de financiamento (patrocinados por verbas de empresas privadas, verbas públicas, leis de incentivo, etc...), pela programação (inédita, inventiva, de forte diálogo com o público, experimental, etc.). Devido a pluralidade de perfis, dificilmente trabalharemos na unidade, mas acreditamos que estas categorias nos auxiliarão a conhecer em profundidade este segmento do audiovisual ainda pouco estudado.

Esperamos contribuir para uma reflexão que nos ajude a compreender entre tantas questões, qual a função dos festivais hoje em dia, se eles agregam valor ao filme, ou se são somente uma fábrica de ganhar dinheiro. Tentaremos, com estas categorizações, buscar respostas para o papel que os festivais de cinema exercem na legitimação da produção audiovisual brasileira, e ainda, quais instâncias de poder estes festivais estabelecem.

Bibliografia

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BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2005.

CANCLINI, Nestor García. Leitores, espectadores e internautas. São Paulo: Iluminuras, 2008. CARRION, Luiz Carlos. Festival do Cinema Brasileiro de Gramado. Porto Alegre: Tchê!, 1987.

GABLER, Neal. Vida, o filme: Como o entretenimento conquistou a realidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

LEAL, Antonio e MATTOS, Tetê. Festivais audiovisuais: diagnóstico setorial: indicadores 2006. Rio de Janeiro: Fórum dos Festivais, 2008.

MELEIRO, Alessandra (org.) Cinema e Economia Política. São Paulo: escrituras Editora, 2009.

PORTON, Richard (org.). On Film Festival. (Série Dekalog 3) Inglaterra: Wallflower Press, 2009.