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  Título
Câmera clara - tela obscura: estereótipos & questões de gênero nos cinemas
Autor
Sandra de Souza Machado
Resumo Expandido
A pesquisa analisa características marcantes, comuns, e fundamentais nas produções audiovisuais eurocêntricas, hegemônicas e dominantes no panorama mundial, que instigam, perpetram, e perpetuam a anulação e a negação do feminino e a formação dos estereótipos de gênero que permeiam as diversas culturas e sociedades globais. As teorias do cinema, da fotografia em movimento, bem como as análises críticas das teorias feministas do cinema são desenvolvidas como ferramentas para pesquisa. A imagem é um instrumento poderoso de comunicação, assemelha-se ou confunde-se com o que representa. Visualmente imitadora (mimesis), ou reflexo, pode levar ao conhecimento, educar, ou enganar. A imagem construída cria associações mentais sistemáticas. A análise da (i)materialidade da imagem questiona suas diversas significações e os problemas que ela levanta enquanto signo. A metodologia envolve o hibridismo da leitura comparativa e análise fílmica entre as produções audiovisuais em estudo, do ponto de vista das questões de gênero, dos feminismos, da crítica psicanalítica e da intercultural, da História do Possível. O controle da memória andro-eurocêntrica, mormente pelas mídias audiovisuais, está ligado a questões históricas de poder e dominação. Nessa memória, a mulher é o segundo sexo, ela é o Outro, e segue representada pela identidade de dominação patriarcal: o homem. Dados e pesquisas deste Século XXI mostram que o cinema norte-americano, de produções que visam as massas, movimenta entre 10 a 12 bilhões de dólares, por ano, com a produção, exibição, distribuição, bilheterias, vendas de vídeos e DVDs, em escala mundial. E o montante cresce a cada ano. Entre 2009 e 2010, as estimativas da MPAA (Motion Picture Association of America) sobre os lucros da produção giram em torno de US$ 12 bilhões. No site oficial da Associação, há afirmações contundentes sobre o que a indústria do cinema gera, atualmente, para a economia dos EUA. É uma poderosa máquina de crescimento econômico que contribui com mais de US$ 180 bilhões, anualmente, para a economia norte-americana. Agrega uma comunidade de profissionais que contribui com mais de US$ 15 bilhões, anualmente, em impostos para os cofres federais e estaduais. E uma das poucas indústrias a gerar uma balança positiva de comércio em virtualmente todos os países nos quais fazem negócios. São aproximadamente 2,4 milhões de trabalhadores – de figurinistas a maquiadores, de dublês a decoradores de sets, de escritores a atores, de contadores a trabalhadores em lavanderias. Apesar de seus lugares-comuns, clichês, e fórmulas prontas, as produções audiovisuais dominantes procuram acompanhar as exigências “politicamente corretas” e novas preocupações, em nível global, com questões como o racismo, sexismo, gênero, meio ambiente, questões religiosas e sócio-culturais. Entretanto, em pleno Século XXI, pouco mudou, de fato. Principalmente, no que tange os problemas de gênero. Aos que reclamam contra os estereótipos femininos negativos e mesmo a nulidade do feminino, que se perpetuaram e são exaustivamente reproduzidos, desde todo o século passado, na mídia norte-americana e no Ocidente, por conseguinte. Os executivos da mídia audiovisual argumentam que a economia e a política sócio-culturais dessa indústria tornam impossível aos produtores evitarem tais estereótipos de gênero. As mulheres, em todo o mundo, ainda têm que lidar com o fato de que muitos produtores (imensa maioria) do cinema estão muito mais preocupados em serem chamados de racistas, por exemplo, do que de misóginos.
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