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  Título
Brasília Ano 10: espaço fílmico e urbano
Autor
Daniela Marinho Martins
Resumo Expandido
A relação entre Cinema e Cidade remonta às origens da sétima arte, o vertiginoso crescimento dos centros urbanos, no início do século XX, foi acompanhado pelo surgimento do cinema e da sua conversão em massa. No momento da construção de Brasília, o cinema atraia milhões de pessoas às salas de cinema há décadas.



Pensar Cinema e Cidade nunca foi indissociado, o Cinema só é possível em grandes metrópoles, que aportem a enorme demanda energética e a infraestrutura de gastos homéricos. De modo geral, pensar o espaço é fundamental para a produção de qualquer conteúdo nas Ciências Humanas. “Espaço. Finito ou infinito, relativo ou absoluto, receptáculo ou, simplesmente um “invólucro” dos objetos, o uso de tal categoria é, sem dúvida, e em nossos dias, praticamente obrigatório em qualquer tipo de debate acadêmico.” (SANTOS, 2002, p. 15-16).



O estudo estabelecerá a relação entre o espaço criado pela câmera e o espaço geográfico e arquitetônico de Brasília, em 1970, a partir do curta-metragem Brasília Ano 10, de Geraldo Sobral Rocha.



O trabalho partirá de como a câmera retrata os espaços da Nova Capital, quais são os elementos escolhidos para caracterizar a cidade; os recortes, a montagem, o que está dentro e fora de campo, abertura dos planos, movimentação da câmera, etc. “Filmar então pode ser visto como um ato de recortar o espaço, de determinado ângulo, em imagens, com uma finalidade expressiva. Por isso, diz-se que filmar é uma atividade de análise.” (BERNARDET, 1991, p. 36).



Brasília Ano 10, um curta-metragem de 1970, com dez minutos de duração _ dirigido pelo então professor do Curso de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) _ reflete, após dez anos da inauguração da cidade, aspectos urbanísticos e geográficos da capital. De acordo com Andrea Barbosa “A cidade é representada no cinema pelo incessante jogo entre a subjetividade de quem a povoa e a objetividade de sua presença física. É na objetividade do espaço que se exercem as possíveis subjetividades.” No curta de Sobral Rocha, a objetividade da presença física é abordada exaustivamente, evidente em seu início nas palavras narradas em off: “Cidade é a projeção da sociedade sobre um local”.



O Cinema, como fenômeno de massa e com a sua objetividade fotográfica, é um excelente instrumento de estudo sobre o imaginário presente nesta época na cidade. Brasília Ano 10, ao retratar o 10º aniversário da capital, muito tem a revelar sobre representações simbólicas marcantes daquele período.



Infelizmente, o filme já se encontra em um estado de conservação preocupante. Faz-se urgente a reflexão sobre Brasília a partir desse material e a procura por formas de financiamento para a sua restauração. Por mais que Brasília tenha sido intensamente documentada, muito de seu material não se sabe ao certo onde se encontra e em que estado de conservação eles estão. Cabe, portanto, o trabalho do pesquisador para salvaguardar essa memória.

Bibliografia

BARBOSA, Andréa. “Ronda: espaço, experiência e memória em sete filmes paulistas dos anos de 1980”. In: NOVAES, S. C. et al. Escrituras da imagem. São Paulo: EDUSP/FAPESP, 2004.



BERNARDET, Jean-Claude. O que é cinema? São Paulo: Brasiliense, 1991.



FERRO, Marc. Cinema e História. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1992.



OLIVEIRA Jr., Wencesláo Machado de. “O que seriam as geografias de cinema? “Ensaio publicado na página da Revista Eletrônica TXT (Leituras Transdisciplinares de Telas e Textos). Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/atelaeotexto/ revista\txt[leituras transdisciplinares de telas e textos.html]. Acesso em: 30 out. 2006.



MORIN, Edgar. O cinema ou o homem imaginário. Lisboa: Relógio D’água/Grande Plano, 1997.



SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo – razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2002.