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  Título
Estudando a relação imagem-som em A Conversação, de Francis Coppola
Autor
Eduardo Simões dos Santos Mendes
Resumo Expandido
Quando fiz minha tese, em 2000, sobre a importância de Walter Murch na criação do pensamento audiovisual do moderno cinema norte-americano, debrucei-me sobre dois dos filmes que realizou junto com Francis Ford Coppola nos anos 1970: “O Poderoso Chefão” e “Apocalipse”. Esta mesma dupla fez uma terceira obra nessa década, “A Conversação”. A opção por analisar com maior profundidade apenas as duas primeiras citadas deveu-se à questão de prazo (como sempre...), da inegável qualidade e da grande influência que causaram nos cinemas e nos processo de criação e produção do audiovisual mas, também, por me sentir despreparado à época para desafiar a trilha sonora e as relações entre imagens e sons tão complexas como as existentes em “A Conversação”.

Essa complexidade de sua estrutura se inicia na escritura do roteiro que escolhe como personagem principal um profissional de vigilância especializado em gravar conversas. E não só isso, ele é um homem obcecado pelo ouvir que faz com que apenas o universo imagético seja insuficiente para contar a sua história. A direção reforça essa característica do personagem optando, por exemplo, por um jogo de ações on-screen/off-screen que obrigam o espectador a escutar aquilo que a imagem não lhe oferece, colocando-nos na mesma posição do personagem. E nesse universo da audição, os timbres de cada estímulo sonoro apresentado pelo filme são de rica beleza em meio a silêncios, tão ricos quanto e poucas falas.

Toda essa complexidade fica ainda maior com o trabalho desenvolvido por Murch no processo de finalização: sons e imagens que se escondem e se revelam, cada um a sua vez, para depois se rearranjarem, se recombinarem, revelando nossos sentidos, dando novas interpretações a um material já apresentado. Esta intrigada estrutura só foi capaz de ser executada porque Murch é o responsável pelas três funções principais da finalização cinematográfica: a montagem da imagem, a montagem de som e a mixagem. Durante um ano, tempo que pode se dedicar ao(s) seu(s) trabalho(s), o pensar e o fazer conjuntamente a última etapa de realização do filme gerou um obra que respira e vive os princípios do cinema.

É a análise dessa relação entre imagem e som presente em “A Conversação” que proponho apresentar no XV Encontro da Socine.
Bibliografia

Lobrutto, Vincent. Sound-on-film; interviews with creators of film sound. New York, Praeger, 1994

Oldham, Gabriella. First cut : conversations with film editors. Univ. California Press, 1995.

MADREN, Roy P. “The sound designer”, in: Working cinema: learning from the masters. Belmont, Wadsworth, 1990, p. 288-313.

MENDES, Eduardo Santos. Walter Murch: a revolução no pensamento sonoro cinematagráfico (tese) 2000, ECA/USP.

MURCH, Walter. Num piscar de olhos. RJ, Zahar, 2004.

PERCHERON, Daniel. “El sonido cinematográfico en su relaciones con la imagem y la diégeses. Video-Forum. Caracas, Fundación Académica de Ciencias y Artes del Cine y de la Television, 8, out. 80.