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  Título
Mapeamento de Surveillance Art na América Latina - reflexões
Autor
MILENA SZAFIR
Resumo Expandido
“Surveillance-Wireless-Vj'ing-Performance” – do coletivo mm não é confete, obra work in progress de 2003 a 2006 – foi o trabalho mote para o 1o Mapeamento sobre Surveillance Art na América Latina a partir da vídeo-apresentação “Panopticon Performance Way” (fevereiro-março/2010). Proposto pelo Manifesto21.TV em março do mesmo ano, com foco inicial na produção da primeira década do século XXI, o Mapeamento segue em desenvolvimento.



Via Mapeamento inicial, serão apresentados alguns trabalhos como os realizados pelos artistas Coco Fusco (2002), Lucas Bambozzi (2004), Simone Michelin (2004), mm não é confete (2003-2006), Ricardo Basbaum (2001-2010), Eduardo Kac (2009), Daniel Lima (2010), Gustavo Romano (2001) e a seleção peruana indicada pelo pesquisador Jose-Carlos Mariátegui, entre outros, no intuito de uma representação do que até então estava (in)visível – tal qual a premissa dos existentes sistemas de vigilância e controle que permeiam cada vez mais o cotidiano de uma sociedade “pós-Blade Runner”.



O termo que dá título a esta apresentação pretende ser menos a descrição de um campo determinado do que um vetor de exploração, análise e crítica, como apontado por Arlindo Machado sob o termo “cultura da vigilância” (Machado 1991; 1993). A cada dia mais nos deparamos com novos dispositivos que reverberam uma lógica securitária, além de estarem definitivamente tão bem inseridos em espaços mercadológicos e midiáticos. Nos EUA e na Europa a vigilância é um tema que se articulou – principalmente nos últimos dez anos – em face à guerra ao terror e ao controle dos fluxos migratórios; já no Brasil, além da vigilância ser um mercado de tecnologias obsoletas em profusão, verifica-se um aumento de interesse neste ínterim tanto em escopo acadêmico, jornalístico, governamental, quanto artístico. Importantes mostras do que se convencionou denominar de Surveillance Art ocorrem no hemisfério norte há pelo menos três décadas, sendo a exposicão “Surveillance”, realizada em 1987 na cidade de Los Angeles, uma das primeiras iniciativas neste sentido como nos mostrou Arlindo Machado. Quase quinze anos depois, em 2001, a exposição “CTRL [SPACE]” realizada no ZKM, Alemanha, tornaria-se marco referencial para os novos realizadores e pesquisadores no tema. A mais recente realização neste domínio foi a mostra “Exposed”, que ocupou em 2010 a Tate Modern, em Londres. Curadorias mais modestas e em formatos on-line – como a exibida pela Wired em 2007 e a futura publicação na Surveillance & Society (baseada na proposta de Mapeamento do Manifesto21.TV, como anteriormente já citado) – vêm contribuindo para a sedimentação deste território artístico que tentam subverter os destinos impostos ao repensar as questões sobre vigilância e controle.



Uma análise mais intensa – e focada – será investida nos parâmetros do encontro a partir da exibição do processo audiovisual (in)visível realizado pelo coletivo mm não é confete, tendo em vista os fundamentos que permeiam seus trabalhos audiovisuais (artístico-ativista?) de intervenção urbana que adentrou circuitos tanto de entretenimento de cultura eletrônica, quanto espaços acadêmicos entre os anos 2004-2008. Assim, fundamentos sobre vigilância, espetáculo e consumo a partir de diálogos audiovisuais baseados em técnicas de remix, live images – imagens editadas ao vivo –, a partir do sonho-realidade (ou vigília) de captações no “tempo real – com transmissões sem fio” via CFTV (sigla esta que significa “Circuito Fechado de Televisão” – ou CCTV, do inglês “Closed Circuit TV” –, tecnologia comum em sistemas de vigilância) e um jogo participativo hipnótico junto ao público presente.





Bibliografia

Basbaum, Ricardo. 2009. roteiro para sistema-cinema. In Transcinemas, ed. Kátia

Maciel. Rio de Janeiro: Contra Capa.

____. 2010b. Sistema-cinema (Mac). In Tempo-Matéria, ed. Luiz

Cláudio da Costa. Rio de Janeiro: Contra Capa.

Lins, Consuelo e Bruno, Fernanda. 2010. Práticas artísticas e Estéticas da Vigilância. In Vigilância e Visibilidade, ed. Marta Kanashiro. Porto Alegre: Sulina.

Machado, Arlindo. 1991. A Cultura da Vigilância. In Rede Imaginária: televisão e

democracia, ed. Adauto Novaes. São Paulo: Companhia das Letras.

____. 1993. Máquinas de Vigiar. In Máquina e Imaginário. São Paulo: Edusp.

Mariátegui, José-Carlos. 2002. The Camera as an Interface: Closed-Circuit

Video Projects in Peru. Leonardo Electronic Almanac, March, 10 (3). Acesso em fevereiro, 2011.

____. Videoarte electrónico en Peru. Miradas-

Revista del Audiovisual. Acesso em fevereiro, 2011.

mm não é confete. 2004. Manifesto Panóptico. Acesso em abril, 2010.