/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
A Modernidade Exílica no Cinema de Walter Salles
Autor
Bruna Hetzel
Resumo Expandido
Este trabalho discute as transformações sociais experimentadas pelo Brasil contemporâneo tomando por base a obra cinematográfica de Walter Salles. Partindo do discurso fílmico, a análise se centra na construção de uma imagem de um Brasil moderno e global em que se destaca a figura do exilado. O cinema de Salles fala de múltiplos exílios. O exílio econômico, político, afetivo, literal e simbólico, ganham rosto em suas narrativas, e convivem num país que apresenta as perdas e ganhos da modernidade atual e perpetua condições de vida tradicionais e contrastes sociais gritantes. O exilado aqui é o outro do Brasil moderno, invisível e silenciado, é tornado estrangeiro em seu próprio país. Essa problemática se traduz nas experiências existenciais dos protagonistas, sempre em busca de referenciais perdidos – o retorno à terra de origem, a procura pela figura paterna, a ânsia pelo colo materno, o desejo de regresso ao lar ou ao seio familiar, etc- permeiam continuamente a trajetória dos personagens, constituindo facetas de uma procura por segurança e acolhimento. Partimos dessas vivências fictícias e do contexto criado pelos filmes e tecemos uma reflexão acerca da sociedade “líquido-moderna”, dialogando com autores como Zigmunt Bauman, Edgar Morin e Julia Kristeva. O sentimento de estrangeiridade partilhado pelos personagens é interpretado como condição do mal-estar produzido pelas sociedades capitalistas contemporâneas. Afastando-se dos ideais nacionalistas e de uma aposta revolucionária mediada por um embate classista, colocamos que os filmes de Walter Salles delineiam uma proposição política de cunho humanista que passa por uma re-fundação ética.
Bibliografia

Bauman, Zigmunt. “Vidas Desperdiçadas”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2005.



_____________. “Modernidade Líquida”. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2001.



Boff, Leonardo. “Virtudes pra um outro mundo possível, vol. I: hospitalidade: direito e dever de todos”. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.



Kristeva, Julia. “Estrangeiros para nós mesmos”. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.



Macedo, Bruna Daniela Hetzel de. “A dimensão ética do cinema de Walter Salles: hospitalidade, religação e perdão”. Natal, RN, 2008.



Morin, Edgar. “O Método 6: a ética”. Tradução de Juremir Machado da Silva. Porto Alegre: Sulina, 2005.



Nagib, Lucia. “A utopia no cinema brasileiro: matrizes, nostalgia, distopias”. São Paulo: Cosac Naify, 2006.



Oricchio, Luis Zanin. “Cinema de novo: um balanço crítico da retomada”. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.



Pucci Jr, Renato Luiz. “Terra Estrangeira” in: Cinema nos anos 90”/ Denílson Lopes (org).