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  Título
Cinema e Educação: formação de educadores audiovisuais
Autor
Eliany Salvatierra Machado
Resumo Expandido
O departamento de Cinema e Audiovisual do Instituto de Artes e Comunicação Social da UFF criou em 2009 o curso de Cinema e Educação com o objetivo de formar licenciados para atuarem na educação formal (Escolas públicas e particulares) e nos projetos sociais – Ongs – Organizações não governamentais. O projeto do curso visa formar em quatro anos um profissional que saiba fazer cinema, educar e articular o cinema com os processos de ensino e aprendizagem. É o primeiro curso de graduação em Cinema e Educação do país.

A graduação em Cinema e Educação é inaugurada academicamente com o curso de licenciatura da UFF. O presente texto visa refletir sobre os fundamentos teóricos ou pressupostos que possam contribuir com a formação dos futuros “educadores audiovisuais” – termo apresentado, no presente texto, para nomear o novo profissional.

Entendemos que fundamentos são os pressupostos filosóficos que orientam uma formação, bem como as práticas educacionais. Ao buscar os fundamentos que possam orientar práticas de ensino e aprendizagem percebemos que, necessariamente, não haverá apenas um fundamento. Vários fundamentos e perspectivas teóricas podem coexistir no mesmo curso, confrontando-se e inclusive polarizando as teorias e pressupostos ligados ao Cinema, ao fazer cinema e a Educar através do Cinema.

A pesquisa parte da análise da modernidade que orientou a educação formal na criação das suas grades curriculares e ementas que fundam a instituição Escola. Partimos do princípio que a educação formal cindiu a razão da emoção, desqualificando a percepção no processo tanto de ensino como de aprendizagem.

O que temos hegemonicamente como ideal de formação é um projeto, na educação formal, que valoriza o processo de abstração racional, herdeira do pensamento cartesiano – o cogito cartesiano parte do princípio filosófico que pensar é que dá a consciência à capacidade de compreensão da existência – “penso logo existo”.

Husserl, ao se contrapor ao pensamento pragmático e cientificista, se propõem a pensar como conhecemos, fundando assim a fenomenologia, que seria mais tarde resumida por Lyotard[1] como o estudo do conhecimento, do fenômeno do conhecimento.

Na fenomenologia o que está em estudo, como objeto científico, é como o conhecimento ocorre. Estudo realizado com o conhecimento e a partir do que percebemos com ele. Segundo Merleau Ponty[2] sentimos com o corpo, através das nossas experiências. Mas, é preciso cautela ao pensar sobre o conhecimento através da experiência, para que não nos desviemos ao empirismo ou a um psicologismo do conhecimento. Para a fenomenologia aprendemos através da percepção e da sensibilidade.

A fenomenologia nos apresenta pensamentos importantes para refletir como o Cinema Educa, sem com isso entrar na seara da desconstrução das várias compreensões sobre o que significa “educar”. Por isso apresentamos a fenomenoloia como um dos aportes teóricos para o campo emergente em formação.



Bibliografia

ARNHEIM, Rudolf, Arte e percepção visual, uma psicologia da visão criadora, São Paulo, Pioneira – Editora da Universidade de São Paulo, 1980.

BELLOUR, Raymond, Entre Imágenes, foto.cine.video, Buenos Aires, Colihue, 2009.

DELEUZE, Gilles, Lógica do sentido, São Paulo, Perspectiva, 2003.

DUARTE JUNIOR, João Francisco, O sentido dos sentido: a educação (do) sensível, tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas, 2000.

LYOTARD, Jean-François, A fenomenologia, Lisboa, Portugal, Edições 70, 2008.

MARCONDES FILHO, Ciro, O princípio da razão durante, o conceito de comunicação e a epistemologia metapórica, São Paulo, Paulos, 2010.

MERLEAU-PONTY, Maurice, Fenomenologia da percepção, 2ª ed, São Paulo, Martins Fontes, 1999.

METZ, Christian, Linguagem e Cinema, São Paulo, Perspectiva, 1980.

SAVIANI, Demerval, Pedagogia Histórico-Crítica, primeira aproximações, Campinas Autores Associados, 2000.

XAVIER, Ismail, A experiência do cinema, Rio de Janeiro, Editora Graal: Embrafilmes, 1983.