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  Título
Verga e o cinema
Autor
Mariarosaria Fabris
Resumo Expandido
Dando continuidade à pesquisa sobre escritores italianos que, de algum modo, se envolveram com a sétima arte, desta vez, minha atenção volta-se para o expoente máximo do Verismo. Se, em 2009, apresentei a comunicação "Cesare Pavese: diálogos com o cinematógrafo"; em 2010, "Bertolucci, crítico cinematográfico": em 2011, "Pier Paolo Pasolini: resenhas cinematográficas", neste ano, pretendo analisar as conturbadas relações entre Giovanni Verga e o cinema.

A indústria cinematográfica italiana, a partir dos primeiros anos do século XX, fez um largo uso de obras literárias, dentre elas as de autores veristas, de Grazia Deledda a Salvatore Di Giacomo, de Matilde Serao a Roberto Fucini, de Nicola Misasi a Mario Pratesi, de Emilio De Marchi a Carlo Bertolazzi. Assunta Spina, obra de Di Giacomo filmada em 1909 por Gustavo Serena, com o mesmo título, tornou-se um dos máximos expoentes daquela corrente realista napolitana, considerada uma das fontes do Neorrealismo no cinema, que se desenvolveu paralela à dos filmes históricos, colossais e grandiloquentes, como "Cabiria" (1913), de Giovanni Pastrone, para cujo sucesso contribuiu o prestígio de Gabriele D’Annunzio.

A chamada tríade de Catânia tampouco foi esquecida pela sétima arte: de Federico De Roberto, descoberto tardiamente em relação a outros autores, foi levado para as telas seu romance-rio "I viceré", em 2007; de Luigi Capuana foram filmados vários contos e o romance "Il marchese di Roccaverdina". Dentre os veristas, Giovanni Verga foi o que teve o maior número de obras adaptadas para a tela (quase todas com o mesmo título), desde as novelas "Caccia al lupo", "Cavalleria rusticana", "La lupa" e "L’amante di Gramigna", até os romances "Storia di una capinera", "Eva", "Tigre reale", "Il marito di Elena".

A expressão máxima do Verismo no cinema continua sendo a transposição para a tela de "I Malavoglia", realizada por Luchino Visconti, em 1948, sob o título de "La terra trema" ("A terra treme"). No início dos anos 1940, Visconti havia se ligado ao grupo da revista "Cinema", em cujas páginas, com o artigo "Verità e poesia: Verga e il cinema italiano" (1941), Mario Alicata e Giuseppe De Santis abriam um debate sobre a obra do escritor siciliano.

A redescoberta de Verga, como mestre do almejado realismo, e a premência de levar para a tela sua "arte revolucionária, inspirada numa humanidade que sofre e espera", estava ligada ao desejo de opor uma cultura enraizada na realidade social e popular do país à retórica da cultura oficial do Fascismo. Visconti havia pensado em adaptar "L'amante di Gramigna", mas, ao ser impedido de levar adiante o projeto, porque o roteiro não foi liberado pelo Ministério da Cultura Popular, sua escolha recaiu sobre "I Malavoglia", determinada também pela musicalidade e pela plasticidade presentes em alguns trechos do romance e que serão dois elementos-chave do filme.

As relações de Giovanni Verga com o cinema, contudo, foram mais complexas e ambíguas, pois este menosprezava a sétima arte, embora, em 1916, tivesse se tornado sócio da produtora milanesa Silentium Film. Verga, como muitos outros escritores, de um lado, não queria rebaixar sua arte; de outro, deixou-se atrair pelo lucro fácil assegurado pela venda dos direitos autorais de suas obras ou de um roteiro (por exemplo, de "Tigre reale" ou de "Caccia al lupo", que ele assinou). Por isso, essas relações foram intermediadas por Dina Castellazzi di Sordevolo (encarregada das outras adaptações), ou por Federico De Roberto, que redigiu o roteiro de "Cavalleria rusticana".

Bibliografia

BRUNETTA, Gian Piero.