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  Título
A Nouvelle Vague sob o ponto de vista do jornal O Metropolitano
Autor
Alessandra Souza Melett Brum
Resumo Expandido
O início da década de 1960 é marcado por inúmeras transformações estéticas e uma pluralidade de tendências em oposição ao modelo clássico do cinema, culminando no que se convencionou denominar de cinema moderno. Destaca-se nesse contexto mundial o movimento cinematográfico francês Nouvelle Vague, que surge em fins de 1959 com o aparecimento dos primeiros filmes realizados por críticos da Cahiers du Cinéma, como Le Beau Serge (1957) e Les Cousins (1958), de Claude Chabrol, ambos lançados comercialmente em 1959, e ainda Les Quantre Cents Coups, de François Truffaut, um dos representantes da França no Festival de Cannes do mesmo ano e Hiroshima mom amour, de Alain Resnais.

A Nouvelle Vague, com seu método de produção baseada no baixo orçamento e na renovação de linguagem, adquire importância e torna-se um dos pontos de inflexão na forma de pensar e fazer cinema no Brasil. O interesse da crítica brasileira nesse cinema que emerge pode ser observado, pelo grande número de artigos dedicados exclusivamente ao movimento Nouvelle Vague e aos filmes dessa geração de críticos franceses.

Nessa comunicação deteremos nossa análise na coluna de cinema do jornal O Metropolitano, órgão oficial da União Metropolitana de Estudantes, buscando compreender como os críticos e/ou futuros cineastas do Cinema Novo assimilam as novidades estéticas da Nouvelle Vague. O Metropolitano conta com críticas de cinema escritas por Cacá Diegues, David Neves e Sérgio Augusto, e ainda com textos de colaboradores, sobre o movimento da Nouvelle Vague, propriamente dito, ou de filmes do movimento francês.

Concentraremos nossa análise no período que se estende de 1959, quando os primeiros filmes da Nouvelle Vague começam a despontar no Brasil, ao ano de 1962, data de inegável importância no panorama cinematográfico nacional consolidando em definitivo o movimento do Cinema Novo, com os filmes Cinco Vezes Favela que reúne Couro de Gato, de Joaquim Pedro de Andrade, Um Favelado, de Marcos Faria, Escola de Samba e Alegria de Viver, de Cacá Diegues, Zé da Cachorra, de Miguel Borges e Pedreira São Diogo, de Leon Hirszman, além de ser o ano de circulação de A grande feira, Tocaia no asfalto (Roberto Pires), Barravento (Glauber Rocha), Assalto ao Trem Pagador (Roberto Farias), Porto das Caixas (Paulo César Sarraceni), Os cafajestes (Ruy Guerra) - e da vitória de O pagador de Promessas (Anselmo Duarte) no Festival de Cannes.
Bibliografia

Essa comunicação está apoiada em fontes primárias.

BRUM, Alessandra. Hiroshima Mon Amour e a recepção da crítica no Brasil. Tese de doutorado, Instituto de Artes da Unicamp, Programa de Pós-graduação em Multimeios, Campinas, agosto de 2009.

BUENO, Zuleika de Paula. Bye Bye Brasil: a trajetória de Carlos Diegues e do Cinema Brasileiro (1960-1979). Dissertação de mestrado: Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 2000.

COSTA, Flávio Moreira da (org.). Cinema Moderno. Cinema Novo. Rio de Janeiro: José Álvaro Editor S.A., 1966.

MARIE, Michel. La Nouvelle Vague. Une école artistique. Paris: Nathan-Université, 1998.

NEVES, David E. Telégrafo Visual. Crítica amável de Cinema. Carlos Augusto Calil (org.). São Paulo: Editora 34, 2004.

VIANY, Alex. O Processo do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.

XAVIER, Ismail. O Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.