/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
A trilha sonora como gênese criativa na obra de Moacir Santos
Autor
Lucas Zangirolami Bonetti
Resumo Expandido
A discussão central dessa pesquisa abrange a percepção e análise dos processos de composição utilizados por Moacir Santos (1926-2006) na concepção de sua obra a partir das diversas trilhas sonoras que assinou nos anos 1960. Santos dedicou boa parte de seu tempo confeccionando e produzindo trilhas cinematográficas, sendo essas produções seus primeiros trabalhos de grande impacto lançados no Brasil, como por exemplo as seguintes películas: Seara vermelha (1964), de Alberto d’Aversa (1920-1969); O santo módico (1964), de Sacha Gordine (1910-1968) e Robert Mazoyer (1929-1999); O ganga-zumba (1964), de Carlos Diegues (1940-); Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra (1931-) e O beijo (1964) de Flávio Tambellini (1925-1976).

Tais trilhas apontam todo um direcionamento estético seguido por Moacir ao longo de sua carreira, sem contar as inúmeras melodias e temas nascidos por essa época e que iriam figurar em grande parte de sua produção de música instrumental e de canção lançadas posteriormente. Sendo assim, poderemos compreender de maneira mais completa a dimensão total de sua obra composicional, estudando e percebendo como suas referências imagéticas assimiladas dos filmes refletiram em seus processos composicionais.

Também será possível delinear uma linguagem expressiva no processo de composição de Moacir Santos, trazendo à tona aspectos socioculturais e vertentes estilísticas (musicais) desde suas trilhas para cinema e comparando-a com seus discos lançados posteriormente. É de grande interesse à pesquisa abordar a inter-relação dessas vertentes musicais no processo de construção e sedimentação de sua obra, por meio da análise auditiva e visual.

Primeiramente, é necessário que situemos essas trilhas feitas por Santos no contexto em que elas foram produzidas, isso se dará por um mapeamento geral do que foi a trilha sonora na década de sessenta. Levantando parâmetros estilísticos comuns e percebendo de que modo Moacir Santos se insere nesse contexto mapeado. Para isso serão utilizados alguns livros e dissertações que tratem sobre esse conceito e sobre como esse processo se tornou o fio condutor de diversas práticas musicais.

A seguir Moacir Santos e sua obra são devidamente contextualizados, de maneira a situar historicamente a carreira de Moacir e o período temporal em que seus discos foram concebidos. Nesse momento deve-se colocar em confronto as características que tornam esse conjunto de obras uma grande síntese poli estilística, como: popular urbano brasileiro, jazz norte-americano, tradição europeia e estética musical africana, todas presentes na obra desse compositor.

Por fim, serão confrontados e analisados os procedimentos da composição de suas trilhas para cinema com as composições equivalentes lançadas em discos, bem como será averiguado se o direcionamento estético proposto pelas películas foi levado adiante em sua obra e de que maneira. Também será de grande interesse para o projeto perceber como se deu a escolha das sonoridades e instrumentos feita por Moacir em suas trilhas, caracterizando cenas e personagens e sua ligação com o arranjo final.

Bibliografia

ADNET, Mário; NOGUEIRA, José. Cancioneiro Moacir Santos, coisas. Rio de Janeiro: Jobim Music, 2005.



____. Cancioneiro Moacir Santos, ouro negro. Rio de Janeiro: Jobim Music, 2005.



____. Cancioneiro Moacir Santos, choros e alegrias. Rio de Janeiro: Jobim Music, 2005.



CARRASCO, Ney. Sygkhronos: a formação da poética musical do cinema. São Paulo: Via Lettera, 2003.



FRANÇA, Gabriel Muniz Improta. Coisas: Moacir Santos e a composição para seção rítmica na década de 1960. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2007.



FREIRE, Rafael de Luna (Org.). Nas trilhas do cinema brasileiro. 1 ed. Rio de Janeiro: Tela Brasilis, 2009.



GOMES, João Marcelo Zanoni. “Coisas” de Moacir Santos. Dissertação de Mestrado. Paraná: Universidade Federal do Paraná, 2009.



GORBMAN, Claudia. Unheard melodies – narrative film music. Londres: London, Bfl, 1987.



GUERRINI Jr., Irineu. A música no cinema brasileiro: os inovadores anos sessenta. São Paulo: Terceira Margem, 2009.