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  Título
Roberto Farias em ritmo de mercado
Autor
Hadija Chalupe da Silva
Resumo Expandido
O mercado criativo de produção de sons e imagens está em constante mutação. Novas formas de produção, difusão e recepção dos filmes surgem cada vez mais rápido. No entanto, no Brasil, mesmo com todos os avanços da atividade realizados nos últimos anos, ainda não conseguimos alcançar a fórmula de autossuficiência desse mercado.

Esse fato nos instiga a voltar nossas atenções para os atores que idealizaram e encabeçaram as mudanças necessárias para que o setor cinematográfico pudesse se estruturar, tanto no que diz respeito à proposta de novas estéticas narrativas, como novos esquemas para viabilização econômica da atividade.

Dessa forma, esta proposta tem como objetivo fazer uma reflexão das principais estratégias de estabelecimento de um mercado cinematográfico nacional, destacando a singularidade das contribuições de Roberto Farias.

Nesse cenário identificamos a figura Farias como um dos expoentes do cinema nacional, tanto no que diz respeito à sua atuação como diretor e produtor independente, quanto em sua contribuição como articulador e estrategista na construção de um cenário de políticas públicas direcionadas para produção e difusão de filmes brasileiros, tanto em território nacional, como internacional.

Ao longo da história da cinematografia brasileira Roberto Farias experimentou e atuou nas diversas áreas do setor, desde a produção (com a Ipanema Filmes e RFFarias Produções Cinematográficas), na distribuição (com a Difilm), à exibição (Canal Brasil).

Planejou políticas tanto para produção como para difusão do cinema nacional, visando o desenvolvimento de um mercado cinematográfico estável e viável economicamente, sem esquecer os elementos culturais responsáveis pelo fortalecimento da identidade nacional.

Com mais de 60 anos de carreira, Roberto Farias, foi um dos profissionais do setor que mais contribuiu para a concretização de movimentos estéticos e políticos, com o objetivo de estabelecer uma industrialização do mercado nacional cinematográfico.

Iniciou sua carreira no sistema de produção de estúdios, na década de 50, com a Atlântida. Participou do movimento do Cinema Novo e articulou com colegas uma empresa que os auxiliaria na ocupação da distribuição de suas produções (Difilm). Foi um dos principais gestores públicos na carreira política à frente da EMBRAFILME, auxiliando no fomento e regulamentação do setor, e ampliou as esferas de diálogos com países de igual interesse no desejo de formar um Mercado Comum de Filmes de Fala Portuguesa e Espanhola. E mesmo depois do fim de sua gestão continuou sua militância pelo cinema nacional à frente nos debates do CBC, onde também versou sobre a defesa da abertura da televisão para os filmes brasileiros, até a conclusão de um dos empreendimentos mais bem sucedidos, a fundação de um canal a cabo totalmente dedicado às produções nacionais, o Canal Brasil.

Isso tudo faz com que Roberto Farias se destaque no cenário audiovisual brasileiro não apenas como diretor e roteirista de visão, mas como um produtor e um homem de negócios do cinema nacional.

Nesta comunicação nos propomos a por em perspectiva sua carreira, suas ideias e suas ações em função das contradições do cinema brasileiro recente.

Bibliografia

Agência Nacional do Cinema: Disponível em www.ancine.gov.br



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ORTIZ, Renato. Diversidade cultural e cosmopolitismo. Revista Lua Nova: n.47, 1999.



RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luiz Felipe. Enciclopédia do cinema brasileiro, São Paulo: Senac, 2000.



Revista de cinema: Disponível em www.revistadecinema.com.br



SIMIS, Anita. A contribuição da cota de tela no cinema brasileiro. In: O público e o privado. UFC, Nº 14, Julho/Dezembro, 2009.