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  Título
O processo criador dos clichês em filmes de terror norte americanos
Autor
André Campos Silva
Resumo Expandido
Marshall Mcluhan e Wilfred Watson (1973) consideram que somos estimulados todo o tempo por certos elementos que se ajustam conforme nossas percepções e as configurações dos momentos que vivemos. Este elemento foi chamado por eles de Clichê.

A capacidade mutável do clichê ocorre sobre um elemento estrutural e imutável conceituado por Jung (2000) como arquétipo.

A existência de paralelismos entre povos que jamais tomaram contato uns com os outros, por terem comportamentos similares permitiu a Jung (2000) conceituar o arquétipo como uma expressão inconsciente e coletiva afeta a todos os seres humanos. Jung considera que os arquétipos seriam depositários de crenças universais, imagens e mitos.

O terror ficcional envolve crenças e pensamentos sobre objetos, situações e fenômenos reais. Afinal, boa parte de nossas concepções de mundo são baseadas em percepções de fundo emocional.

De acordo com Carrol (1999) o gênero terror é um dos poucos que nascem de um sentimento humano, que é o medo. Desde os tempos mais remotos buscam-se explicações científicas e/ou religiosas para lidar com as angústias frente ao desconhecido, através do nosso universo simbólico. Para Lovecraft (2008) é o desconhecido que provoca maior medo e angústia entre os seres humanos. Estranhamente necessitamos de respostas para estas angustias de nossas dúvidas. Todas estas dúvidas e respostas oscilam em nossas imaginações ao ponto de nos tornarmos obcecados pela vontade de mimetizar sentidos, sentimentos, pensamentos, formas etc. A imagem é tão próxima ao ser humano que não percebemos as ilusões que criamos diante de nossos olhos. Sendo na representação que percebemos nosso lado mais desconhecido e inconsciente. O cinema é um espaço onde transbordam índices de nossas expressões emotivas e imaginativas. O medo das incertezas e do desconhecimento do mundo se configura como uma das maiores forças motrizes do imaginário humano.

Assim, o terror do filme nasce de uma reação, há uma emoção humana primordial e, damos forma a estas ameaças de fundo inconsciente por meio dos clichês cinematográficos. Para Carroll (1999) o medo brota da conjunção das emoções com as ameaças descritas nas ficções, desafiando nossa particular compreensão do mundo.

Estudar o clichê pelo cinema nos permite entrar em contato com anseios, desejos, traumas, fragilidades, decorrentes de manifestações culturais e sociais. Segundo TURNER (1997) o cinema é uma prática social para aqueles que o fazem e o público, por ser possível identificar evidências do modo como nossa cultura dá sentido a si própria.

A proposta de estudar o clichê nos filmes de terror enquanto elemento estético comunicacional permite obter conhecimento sobre o processo comunicativo e sua relação emocional com o espectador, enquanto campo gerativo de sentidos e comportamentos.

Bibliografia

CARROLL, Noel. A filosofia do horror ou paradoxos do coração. Papirus, São Paulo, 1999.



JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Editora Vozes, São Paulo, 2000.



LOVECRAFT, Howard Philips. O horror sobrenatural em literatura . Iluminuras, São Paulo, 2008.



MCLUHAN, Marshall; WATSON, Wilfred. Do clichê ao arquétipo. Rio de Janeiro, Record, 1973.



TUNER, Graeme. Cinema como prática social. São Paulo, Summus, 1997.