/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
“GeoCinema". Paisagens e territórios: um exemplo, Walter Salles
Autor
Laurette Emilie Pasternak
Resumo Expandido
“Cinema, um país suplementar no mapa geográfico”, ideia desenvolvida por Serge Daney.

Jean-Louis Leutrat, parafraseando o crítico, evoca o cinema como um país que faltava na sua cartografia mundial. A noção de Atlas cinematográfico é atualmente muito difundida e se constitui mesmo como objeto de estudos. Um exemplo nítido desta tendência, são os números especiais “Atlas du Cinéma”, lançados pela revista "Cahiers du Cinéma", que buscam mapear o cinema mundial. Ainda mais explícito, o livro "Au Sud du Cinéma", que trata de um Sul imaginário. Este livro vai ao encontro da política do Fonds Sud Cinéma, do Centre National de Cinématographie – CNC na França, que promove e apoia a diversidade cinematográfica no mundo.

Hoje, os grandes festivais mundiais de cinema se inscrevem nesta perspectiva. Principalmente o Festival de Cannes, que além da sua conhecida seleção oficial oferece um “mapa” dos cinemas do mundo através de competições e mostras paralelas. Esta tendência se confirma também em festivais dedicados à cinematografias nacionais ou sobre continentes específicos e ainda através dos festivais voltados a questões espaciais ou sobre a natureza. O "Festival GeoCinema" (Universidade de Bordeaux), por exemplo, propõe revelar o olhar de geógrafos sobre o cinema.

A presente proposta de comunicação é articulada como um estudo de metodologia interdisciplinar. Os estudos de cinema, os estudos das paisagens são articulados com disciplinas como a geografia, a antropologia e a história visual, e por vezes, confrontados a autores do "Cultural Studies".

A partir dos preceitos expostos acima, propõe-se refletir sobre a noção de cartografia no cinema. A investigação toma como base a obra de Walter Salles, cineasta de paisagens “transatlânticas” (cf. François Laplantine) e o diretor brasileiro contemporâneo de maior projeção internacional.

As filiações estilísticas, assim como as temáticas do “ciclo da viagem”, busca da identidade, movimento dos personagens permitem relacionar Salles com outros cineastas como Wim Wenders e Michelangelo Antonioni; características presentes também na obra do realizador Theo Angelopoulos.

Outros pontos marcantes dos filmes de Salles são as transposições espaciais e as reescritas literárias para o cinema, as experiências em terras Européias, Norte Americanas, assim como, sua proximidade com a literatura e o cinema Latino Americano. Além disso, um aspecto relevante, é uma constante procura de identidade nos filmes rodados no Brasil.

A problemática sobre os territórios de Walter Salles é complexa. As paisagens são reveladoras de espaços e contextos diversos. Por um lado, os territórios se compõem como espaço geográfico nos seus filmes e, por outro, revelam territórios estilísticos e territórios de produção (Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos). Salles se inscreve como um cineasta do Road Movie, ao mesmo que se mostra como produtor de filmes, circulando por territórios distintos e fazendo parte de um circuito de produção internacional.

Em resumo, esta proposta é concebida como uma forma de "GeoCinema" para traçar uma cartografia pelas paisagens e pelos territórios fílmicos de Walter Salles. O objetivo de analisar, através de paisagens fílmicas, territórios estéticos e de produção.

Para tal, trabalhos da “geopoética” e da “geofotografia” inspiram estas reflexões. Para as questões sócio-econômicas, os escritos de Kristian Feigelson e de Laurent Creton são referências fundamentais. Além das referências bibliográficas listadas, as análises retomam pesquisas desenvolvidas por Jacques Rancière, Jean-Luc Nancy, Sylvie Rollet, Maurizia Natali, Sandro Bernardi, Jean Mottet, Lise Gantheret, Caroline Eades, Matthias Steinle, Michel Collot, Henri-François Imbert (cineasta e teórico), Teresa Castro, Jacques Leenhardt, Olivier Archembeau, Karina Dias, Andréa França, Denilson Lopes, Kátia Maciel, Consuelo Lins, José Gatti, Ismail Xavier, Lúcia Nagib, entre outros pesquisadores.
Bibliografia

AVELLAR, José Carlos. Walter Salles:cinéaste et producteur , in Cinéma d'Amérique Latine n°13, 2005.



BERQUE, Augustin. La Pensée paysagère. Paris: Archibooks/Sautereau, 2008.



BESSE, Jean-Marc. Voir la terre. Six essais sur le paysage et la géographie. Arles: Actes Sud, 2000.



CRETON, Laurent (dir.). Cinéma et stratégies. Économie des interdépendances. Coll. Théorème 12. Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, Paris, 2008.



DUROVICOVA, Natasa; NEWMAN, Kathleen(Edt). World cinemas, transnational perspective. New York/London: Routledge, 2009.



FRANÇA, Andréa e LOPES, Denílson (org.). Cinema, globalização e interculturalidade. Chapecó: Argos Editora, 2010.



FRODON, Michel (org.). Au sud du cinema. Films d’Afrique, d’Asie et d’Amérique Latine. Paris: Cahiers du Cinéma et Arte Éditions, 2004.



LEFEBVRE, Martin (edt.). Landscape and film. New York/London:Routledge, 2006.



ROLLET, Sylvie(dir.) et alii. Théatres de la mémoire, mouvement des images. Coll. Théorème 14. Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, 2010.