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  Título
Uma análise do universo transmídia de True Blood
Autor
Rodrigo Lessa Cezar Santos
Resumo Expandido
Este trabalho apresenta as descobertas preliminares do projeto de pesquisa que resultará em uma dissertação de Mestrado, a ser defendida em 2013. Foram analisadas as peças transmídia em torno do universo ficcional do seriado televisivo True Blood (EUA, HBO, 2008-), focando-se em três tópicos: na descrição das funcionalidades das peças observadas, na relação que seus conteúdos mantêm com a narrativa principal (o seriado televisivo) e na forma como se dá seu consumo/fruição.

O corpus de análise foram as narrativas transmidiáticas (discriminadas abaixo) produzidas pelo canal HBO para integrarem o universo transmídia do seriado. Fechine e Figueirôa (2011) buscam compreender um universo transmídia como um ambiente ficcional multiplataforma, dentro do qual é possível observar duas estratégias distintas. A primeira, em consonância com o que Jenkins (2009) chama strictu sensu de transmedia storytelling, seriam expansões da narrativa de uma mídia para outra(s).

Trata-se de narrativas secundárias que se desdobram e se desenvolvem em outros meios, mas que se situam em um único universo ficcional; idealmente, elas devem bastar em si mesmas, não requerendo o consumo de outras narrativas para que façam sentido. Fechine e Figueirôa (2011) afirmam que “A chave dessa experiência transmídia são os desdobramentos e a complementaridade entre narrativas que, vistas em seu conjunto, são interdependentes, embora dotadas de sentido em si mesmas” (p.26).

A segunda estratégia daria conta de elementos que não são, a rigor, narrativas, embora possam desempenhar funções narrativas. Trata-se de sites e ferramentas da internet que fazem parte do mundo ficcional ao qual se relacionam, mas que podem ser acessados no “mundo real” (os exemplos mais comuns são blogs de personagens, cuja autoria é atribuída a um personagem ficcional, e não à equipe de produção responsável). Esta estratégia funciona de acordo com as lógicas de ressonância e retroalimentação, só fazendo sentido pleno para quem já for consumidor da narrativa principal. “Com isso, colabora-se para manter o usuário envolvido com o universo ficcional proposto, seja convocando-o a algum tipo de atuação colaborativa, seja simplesmente convidando-o a dar ressonância aos conteúdos propostos” (FECHINE e FIGUEIRÔA, 2011, p.26).

O universo transmídia de True Blood foi mapeado segundo esta perspectiva. Seguem algumas das conclusões alcançadas. No que diz respeito às funções e à relação que as peças transmídias mantém com a narrativa principal, observou-se as duas estratégias antecipadas por Fechine e Figueirôa. Do primeiro tipo, têm-se as revistas em quadrinhos, que apresentam histórias autossuficientes e que não mantém vínculos narrativos com o seriado televisivo. Do segundo tipo de estratégias, têm-se minisodes, vídeos fictícios, sites e blogs fictícios, e perfis fictícios em sites de redes sociais: a rigor, não são narrativas independentes, necessitando do consumo associado com o seriado televisivo para fazerem pleno sentido.

No que diz respeito ao consumo e fruição, percebe-se que, ao propor uma imersão no universo ficcional do seriado, a HBO fornece maneiras diversas para que o fã explore este universo, seja consumindo peças ficcionais em audiovisual ou em HQs, seja acessando sites e blogs como se o fã fosse integrante ativo da história. A interação com e entre os fãs é grande, além de ser pressuposto que este fã tem que desempenhar papel ativo para buscar, consumir, explorar e interagir – premissas antecipadas por Jenkins (2009). Fica fortalecida a ideia de que as experiências transmidiáticas de um seriado televisivo são executadas para esta parcela específica da audiência, os fãs. As interações perpetradas são imprevisíveis – indo dos elogios às críticas, da imersão no universo ficcional à quebra desta imersão. Ressaltamos que as noções de Primo (2007; 2003; 2000), Recuero (2009) e Lemos (1997) foram significativas para a compreensão dos ambientes online e das interações que se dão nestes locais.

Bibliografia

FECHINE, Yvana; FIGUEIRÔA, Alexandre. Transmidiação: explorações conceituais a partir da telenovela brasileira. In: LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Ficção televisiva no Brasil: plataformas, convergência, comunidades virtuais. Porto Alegre: Sulina, 2011.



JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009.



________. Textual Poachers: television fans & participatory culture. New

York: Routledge, 1992.



LEMOS, André. Anjos interativos e retribalização do mundo: sobre interatividade e interfaces digitais. Signo Revista de Comunicação, ano III, 1997.



PRIMO, Alex. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por computador. In: Intercom 2003 - XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2003, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte.



________. Interação mútua e reativa: uma proposta de estudo. Revista da Famecos, n. 12, p. 81-92, jun. 2000.



RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Editora Sulina, 2009.