/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
As articulações da Narrativa Transmídia entre a TV e o Cinema
Autor
Vicente Gosciola
Resumo Expandido
Compreender e definir claramente os conceitos que preenchem o nosso campo de estudo é uma prática sempre necessária e, por isso mesmo, consolidada. Assim, para compreendermos os processos narrativos contemporâneos e futuros da TV e do Cinema, é preciso estudar a sua conceituação, ainda que envolva rever antigos conceitos à luz de nossos dias e delinear novos conceitos de sistemas comunicacionais emergentes. O grande campo dessa investigação é o audiovisual e sua evidente presença na sociedade. Tal evidência é demonstrada pelos seguintes dados: em 25 de maio de 2011, o blog oficial do YouTube anunciou que o site de compartilhamento de vídeo estava recebendo mais de 48 horas de vídeo por minuto, “um aumento de 37% nos últimos seis meses e 100% sobre o ano passado”; em janeiro de 2009, 79% dos sites de empresas já continham vídeos; no final de 2010, de todo o acesso à web no EUA, 50% era para ver vídeo; há uma expectativa de que no final de 2012, 50% de todos os acessos do planeta será para ver vídeos.

É certo que o audiovisual está mais voltado ou procurado pelo público vem, certamente, da experiência cinematográfica e televisual que consolidou a linguagem audiovisual. É fato que o audiovisual já possui uma linguagem específica e já formou seu público e onde essa linguagem teve o seu mais amplo desenvolvimento foi no modo ficcional. Em que pese todo o avanço da linguagem audiovisual proporcionado pelos trabalhos documentais e jornalísticos, é a ficção que mais exige novidades da linguagem.

A ficção audiovisual nasceu praticamente com o cinema. É possível considerar o filme de Louis Lumière, L'arroseur arrosé (O Regador Regado, 1895), como o primeiro filme ficcional. Uma singela piada toma forma pela imagem em movimento registrada por Lumière. Como uma piada, o enredo é muito simples, com começo meio e fim, sem outras pretensões a não ser levar graça ao público em um único plano de um minuto com a câmera fixa. Provavelmente, um dos primeiros filmes de ficção seja Une nuit terrible (Uma noite terrível, 1896) de Georges Méliès que, ainda que seja uma história muito curta, tem um enredo um pouco mais elaborado. E boa parte do que se fez em cinema ficcional até hoje teve em Méliès o seu início. Mas, ainda mais significativa para a linguagem audiovisual, seria a contribuição de D.W. Griffith ao dirigir Intolerance: love's struggle throughout the ages (Intolerância, 1916), um filme que reúne todas as técnicas e recursos de linguagem mais avançadas em um longa-metragem de uma produção vultosa. A atitude convergente, por assim dizer, da linguagem audiovisual não poupou esforços para agregar sempre mais e mais recursos para ampliar seu poder comunicacional. No cinema não seria diferente: em 1926 foi lançado comercialmente o primeiro filme sonoro, Don Juan de Alan Crosland, que tinha discos da Vitaphone para serem tocados em alguns momentos do filme.

É nesse cenário conceitual que nasce o principal conceito para esse estudo: a narrativa transmídia que tem em sua estrutura fundamental a integração de meios de comunicação ou convergência de plataformas como vem sendo chamada. Entre os postulados dos mais diversos autores que tentam definir o conceito, fica fácil compreender que a narrativa transmídia é uma grande história dividida em múltiplas narrativas, distribuídas entre diferentes mídias, sendo que cada mídia faz, a seu modo, sua contribuição para história. Desse modo, a narrativa transmídia constrói uma experiência coordenada e unificada de entretenimento. Leva em conta a singularidade de cada mídia de modo a potencializar a expressividade particular a cada narrativa.

A partir desse levantamento serão demonstrados os elementos específicos da narrativa transmídia que promovem a articulação entre as narrativas de conteúdos da TV e do Cinema, mesmo que complementadas por demais plataformas audiovisuais.
Bibliografia

ALLRATH, G.; GYMNICH, M. (eds.). Narrative Strategies in Television Series. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

BETTETINI, G. L’audiovisivo. Milano: Bompiani, 1996.

CAMERON, A. Modular narratives in contemporary cinema. New York: Palgrave Macmillan, 2008.

DAVIDSON, D. et al. Cross-media communications. Pittsburgh: ETC, 2010.

GOSCIOLA, V. Roteiro para as Novas Mídias. São Paulo: Senac, 2010.

HALEVI-WISE, Y. Interactive Fictions. Westport: Praeger, 2003.

JENKINS, H. Convergence culture. New York: New York University, 2006.

KINDER, Marsha. Playing with Power in Movies, Television, and Video Games. Berkeley: University of California, 1993.

LAUREL, B. Utopian entrepreneur. Cambridge: The MIT Press, 2001.

MARCUS, A.; ROIBÁS, A.; SALA, R. (eds.). Mobile TV. London: Springer-Verlag, 2010.

RYAN, M.L. Avatars of Story. Minneapolis: University of Minnesota, 2006.

SHIMPACH, S. Television in Transition. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010.