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  Título
Trajetos históricos da imagem em movimento no circuito da arte
Autor
Eduardo Antonio de Jesus
Resumo Expandido
Na história da arte mais recente, especialmente entre os anos 60 e os dias de hoje, é possível perceber vários hiatos na cronologia e no modo de associar fatos, obras e artistas. Pequenos intervalos que comprovam a eficiência de uma história oficial e totalizante, mostrando a assimetria de um jogo que atravessa a vida social e os modos de percebermos a produção simbólica. Ironicamente esses intervalos apontam, de alguma forma, para determinados desdobramentos que a produção artística acabou assumindo hoje na contemporaneidade.

Se pensarmos nas múltiplas aproximações entre arte e imagem em movimento podemos perceber um intervalo bastante expressivo que frequentemente posiciona as vanguardas históricas, como ponto de partida, e salta diretamente para a produção audiovisual contemporânea. Quando vemos a imagem em movimento surgir de forma quase ubíqua no circuito internacional, especialmente no final dos anos 90, parece que o único passado a qual ela remete, para muitos críticos, é o conjunto de filmes das vanguardas históricas. É bastante comum que algumas práticas artísticas ousadas e radicalmente experimentais dos anos 60 e 70 que ocuparam galerias e museus – operadas tanto em torno da imagem eletrônica quanto do cinema – fiquem de fora das abordagens mais tradicionais. Da mesma forma a produção visual, que se esgueirava pela margem do circuito configurado revelando registros de performance, filmes de artistas e audiovisuais entre outras seja desconhecida ou pior, deslocada dos efeitos que disseminaram na produção artística contemporânea.

Mesmo se pensarmos em circuitos absolutamente configurados e totalmente infiltrados na vida social, como o cinema, percebemos que ele frequentemente não é visto no campo da história da arte como fundador de outras visualidades, de novas formas de relação da imagem com a vida social e de imaginários que passaram a circular alterando a percepção e as formas de inserção no mundo. Com isso afastam-se as abordagens transversais que poderiam aproximar o cinema da história da arte. Ampliando essa ideia e tomando a televisão e seus múltiplos circuitos – da TV propriamente dita, ao celular, internet e todos os outros lugares onde é possível inserir uma pequena tela – os efeitos são igualmente intensos. As mídias do imediatismo, como afirma Fargier , inauguraram outras formas de relação com a arte.

Se observarmos, mais detidamente, é possível perceber que em muitos momentos, mesmo que de forma mais tímida e pontual, a reflexão e a crítica de arte estabeleceram produtivos diálogos e encontros com a imagem em movimento, construindo um importante conjunto de idéias que formam uma das bases sobre as quais construímos nossas aproximações dessas outras formas da imagem.

Apesar da importância desse conjunto de reflexões, sabemos que os vazios na história permanecem e afetam fortemente o modo como percebemos e experimentamos o circuito artístico atual. Pensando especificamente nas imagens em movimento podemos ver que frequentemente elas assumem uma profusão de modos de ser rompendo com categorias e fronteiras no circuito da arte. Quando olhamos para as obras de alguns artistas elas parecem nos remeter a uma nova dinâmica das imagens tanto em relação aos modos de apreensão quanto a suas formas de inserção que parecem rearticular as idéias que estruturavam o circuito artístico e suas relações, até então mais pacíficas , com a imagem em movimento. Tudo isso nos conduz a novas questões e abordagens da história da arte que podem ser importantes para refletirmos em torno da produção artística contemporânea, sob a luz de outros conceitos e noções. Com aproximações só possíveis de ver agora, na presentidade.

Tomando um conjunto de trabalhos e textos históricos e atuais o texto vai desenvolver um breve percurso apontando algumas das lacunas na história e as tensões típicas da inserção da imagem em movimento no circuito da arte para refletir sobre a natureza desse movimento entre a caixa preta e o cubo branco.
Bibliografia

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